Até parece que a tragédia, de tão evidente, obnubila os
olhos e entorpece os neurónios dos governantes.
O interior está sob um ataque cerrado e não se encontra uma estratégia,
nem se esboçam medidas que o defendam. Pelo contrário, todos os dias se
conhecem decisões que o enfraquecem, que o matam.
Os factos são todos conhecidos e estão mais do que
estudados. Os demográficos, os sociais, os económicos, os culturais, os
políticos. De todos eles o governo tem em mãos estudos próprios e alheios,
investigações dos mais reputados cientistas de todas as universidades e
politécnicos.
Mas vejam-se os dados mais recentes da demografia, que
reduzem em muito a população nacional, mas o interior, esse, ficará reduzido a
zeros. Ou então veja-se o recente decreto-lei de encerramento dos tribunais, em
que 47 são extintos ou desqualificados, todos, porém, do interior, sem que daí advenha
qualquer ganho para as contas públicas como reconhece a ministra da justiça. Ou
então vejam-se os concelhos com previsão de encerramento de repartições de finanças,
quase exclusivamente nos concelhos do interior. Só no distrito de Viseu, o mais
afetado, está previsto o encerramento de repartições em dezassete concelhos.
Ou seja, parafraseando Almada Negreiros, todas as palavras
para salvar o interior estão inventadas, só falta, mesmo, salvá-lo.
E é isso que não acontece. É isso que este governo teima em
escamotear enterrando a cabeça na areia.
É pois neste contexto, e para dar
luta neste combate, que os deputados do PS irão efetuar uma reflexão nacional
sobre a problemática da interioridade, uma ação em defesa do interior e do
poder local.
O objetivo desta iniciativa é contactar
com os agentes locais e aferir, in loco, os efeitos que o difícil contexto
macroeconómico, agravado por políticas cegas deste governo, tem provocado sobre
as regiões do interior, menos desenvolvidas e, naturalmente, sobre as suas
populações.
As ações promovidas pelos
parlamentares socialistas visam, também, identificar as inúmeras
potencialidades dos territórios do interior em áreas como a energia, a fileira
florestal e alimentar, a mobilidade, a logística, as tecnologias digitais, as
indústrias criativas, o turismo e os serviços sénior ou a reabilitação e a
regeneração urbanas.
Todos estes, e muitos outros, são exemplos que demonstram que é possível construir soluções com criatividade e inovação, combatendo, assim, a desertificação do interior e promovendo a coesão territorial.
Todos estes, e muitos outros, são exemplos que demonstram que é possível construir soluções com criatividade e inovação, combatendo, assim, a desertificação do interior e promovendo a coesão territorial.
Acácio Pinto
Douro Hoje | Rua Direita | Diário de Viseu