Os
números não enganam. A taxa de pobreza em Portugal, segundo os dados
recentemente publicados pelo INE, passou de 17,9 para 18,7%, o valor mais
elevado desde 2005. Ou seja, aumentou o número de pessoas e de famílias que
vivem abaixo do limiar de pobreza.
Este
é um retrocesso social de enorme dimensão, que tem que nos convocar a todos.
Estão em causa concidadãos nossos, principalmente os desempregados e as
famílias com filhos a cargo.
Mas
estes dados revelam uma outra realidade ainda mais dura, sob o ponto de vista
social. É que se agravaram as desigualdades no nosso país: o rendimento dos 20%
mais ricos passou a ser seis vezes superior ao dos 20% mais pobres, que era de
5,8.
Estamos,
portanto, a trilhar um caminho ideologicamente impiedoso para com aqueles que
mais precisam, tendo-se aprofundado as assimetrias que se vinham esbatendo de
forma consistente.
E
como corolário desta governação de direita também a pobreza mais severa se
agravou ao atingir, em 2013, 10,9% da população, mais 2,3% do que no ano
anterior.
Ora
estes indicadores, se dúvidas existissem, são a confirmação de que o caminho
desta “austeridade reforçada” e dos cortes nas políticas sociais está errado.
Aquela
ideia peregrina que o governo e a maioria propalavam, dizendo que estavam a
poupar os mais frágeis e que a distribuição dos sacrifícios era socialmente
justa, como se vê, não colhe.
Estamos,
portanto, não só num país com um maior número de pobres, mas em que os pobres
são cada vez mais pobres.
Só
em 2013 foram feitos cortes elevados nas prestações sociais de combate à
pobreza, menos 52 mil no RSI e menos 18 mil no CSI. É a direita no seu
esplendor, que sempre estigmatizou estes apoios sociais às pessoas.
É
pois, neste contexto, que o PS está a desenvolver um conjunto de iniciativas
junto de instituições de apoio social com vista a avaliar o estado do país e
das políticas sociais em curso.
Às
instituições, já não lhes bastando o aumento da pobreza, ainda estão a ser
confrontadas com uma diminuição dos recursos financeiros.
É
tempo de parar, tempo de mudança! Parafraseando Almeida Garret, não podemos
continuar a condenar portugueses à pobreza e à miséria para continuarmos a
produzir cada vez mais ricos!
Acácio Pinto