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O que dizem as memórias paroquiais de 1758 sobre a paróquia de Romãs

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  Por decisão do Marquês de Pombal, em 1758, três anos após o terramoto, foram lançadas a todas as paróquias um conjunto de questões a que os respetivos párocos responderam. Essas memórias são um importante documento que nos permite, hoje, conhecer alguns pormenores da nossa terra em meados do século XVIII. As perguntas tinham a ver com a jurisdição, com a demografia, a geografia, os recursos, as igrejas, as pessoas ilustres, entre outras. Deixo-vos hoje as respostas que o reitor do lugar de Romanis (concelho de Sátão), Pedro Jozé Machado, deu às perguntas do Ministro do Reino e que pelo seu teor, facilmente se adivinha a que pergunta ele estava a responder. Esclareça-se que à época o território da atual freguesia constituía o concelho de Gulfar, cujo pelourinho e sede era em Douro Calvo. Eis o teor das respostas, datadas de 20 de maio de 1758. Igreja das Romanis. Interroguatorios. 1. Esta igreja de Santa Maria do Val das Romanis se acha setuada na Provincia da Beira, bisp...

Uma ‘aula’ sobre a escravidão, por João Pedro Marques

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  A sessão das 5.as de Leitura que teve lugar nesta quinta-feira, 23 de outubro, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, contou com a presença do historiador e romancista João PedroMarques . Sob a batuta suave e competente de Teresa Carvalho , a moderadora, dando o palco ao convidado, este dissertou sapientemente, enquanto historiador, pela temática da escravatura, que acabou por ser o pano de fundo deste excelente serão literário, com permanentes ligações a circunstâncias históricas, em que não faltaram também incursões francas e intimistas a alguns aspetos dos seus tempos de estudante de engenharia. Está claro que, nesta conversa, não poderia faltar uma palavra do romancista sobre os seus romances. Sobre a sua escrita criativa. Sobre as suas tramas romanescas, tecidas normalmente ‘em cima’ de “acontecimentos históricos”, onde ele se socorre de personagens reais e de personagens fictícias, para criar uma “intriga” e dar corpo às suas ficções. Ou seja, poderemos dizer, em ...

O Emigrante | A saga de uma família abalada por segredos antigos

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  DETALHES DO LIVRO Título: O Emigrante – A saga de uma família abalada por segredos antigos Autor: Acácio Pinto Preço: 16 € Compre aqui: letraseconteudos@gmail.com ISBN: 978-989-35609-2-1 Edição: Letras e Conteúdos | Sátão Data de lançamento: 1.ª edição – outubro de 2025 Idioma: Português Dimensões: 141 x 210 x 15 mm Encadernação: Capa mole Páginas: 224 Classificação: Livros em Português > Literatutra > Romance SINOPSE Inspirado em memórias reais,  O Emigrante  é muito mais do que um romance que retrata a emigração portuguesa: é uma viagem emocional que atravessa fronteiras, gerações e afetos. Renato, natural da região de Viseu, nos anos 60 parte a salto para França em busca de uma vida melhor, deixando mulher e filhos em Portugal. Entre a dureza da labuta nas obras em Champigny, a vida nos  bidonvilles  e o trabalho numa siderurgia em Le Creusot, conhece a solidão de quem vive repartido entre dois países. Mas não são apenas a distância ou o labor que o m...

Almoço real servido na Figueira no dia da inauguração da linha da Beira Alta

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Falámos em anterior crónica sobre a inauguração da linha da Beira Alta, no dia 3 de agosto de 1882, pelo Rei D. Luís , com a viagem inaugural a ter início na estação da Figueira da Foz. O chef que foi escolhido pela cidade da Figueira para preparar o almoço real foi Paul Bergamim, suiço, que já tinha sido o chefe do Hotel Bragança, de Lisboa, um hotel de “primeiro nível, verdadeiramente!” e depois no Grande Hotel do Bussaco e no bufet da estação de comboios da Pampilhosa. Está claro que nos continuamos a socorrer da descrição que Bronislaw Wolowski para falarmos nesta crónica do almoço real. E diz-nos o referido cronista: Reproduzo aqui o menu que foi impresso em língua francesa, e junto para a curiosidade do facto como exemplo da língua portuguesa, o convite enviado pelo Conselho municipal desta encantadora cidade da Figueira-da-Foz, à qual eu desejo que o novo caminho-de-ferro abra a era de todas as prosperidades. Municipalidade da Figueira-da-Foz A Camara Municipal tem...

Conhece a estrada do Enforca Cães?

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  Enforca Cães . Tão incomum é o seu nome quanto a beleza que a rodeia. Trata-se da estrada que liga, no concelho da Figueira da Foz, a localidade da Murtinheira (freguesia de Quiaios) a Buarcos. O topónimo, Enforca Cães , dever-se-á, segundo a memória dos mais idosos, ao facto de ali serem abatidos, em tempos idos, cães com doenças contagiosas para os humanos. De origem antiga, a estrada teve durante muito tempo um uso industrial (desde finais do século XVIII) dedicado quase exclusivamente à atividade extrativa de carvão e de calcário que ocorreu na Serra da Boa Viagem. Estas atividades industriais encerraram respetivamente em 1961 e em 2013. Ora, estas circunstâncias, que vieram ditar uma degradação lenta da via, levaram mesmo ao seu encerramento à circulação automóvel, por questões de segurança, em 2019, situação muito contestada pelas populações, que exigiam a sua requalificação e reabertura. Neste contexto, a Câmara Municipal da Figueira da Foz tratou de operacionaliza...

A Fonte do Cão, na Murtinheira - Quiaios

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O que resta da antiga Fonte do Cão, que existiu a céu aberto na Murtinheira, é hoje uma lápide que a Junta de Freguesia de Quiaios colocou em 2005 sobre umas manilhas de cimento, assinalando a sua existência. O local, batizado pelos populares de Largo da Fonte do Cão, como não poderia deixar de ser, e que não consta do Google Maps, mereceu, finalmente, uma intervenção de limpeza pelos serviços da autarquia, que se saúda, esperando-se, contudo, que esta não tenha sido uma operação de circunstância. Todos os locais, este como tantos outros, que possam ter associadas a si estórias de outros tempos, merecem ser olhados, pelas entidades públicas, como espaços de memória coletiva. E, assim sendo, só a sua preservação e a criação de uma narrativa associada poderão legar às gerações vindouras o conhecimento das idiossincrasias e das vivências que os nossos antepassados tiveram no território que hoje pisamos. Ao que apurámos (memórias com mais de 40 anos), aquilo que ali existia antes de ...

Salazar teve amores secretos e coloridos?

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  A autora, Felícia Cabrita, não tem dúvidas. Sim, Salazar teve muitos casos de amor, uns mais secretos, outros mais públicos, uns muito coloridos e outros que se resumiram a meros amores platónicos. Este livro, Os Amores de Salazar , com prefácio de Diogo Freitas do Amaral, foi escrito há mais de duas décadas e resulta de um aturado trabalho de investigação de Felícia Cabrita nos arquivos nacionais à guarda da Torre do Tombo e de conversas com protagonistas. De facto, António de Oliveira Salazar, desde cedo, foi colecionando corações de mulheres, desde os tempos de seminarista: de Viseu, a Coimbra, de Lisboa a Paris. Com amores platónicos, inocentes ou pecaminosos, o Presidente do Conselho, foi preenchendo a sua vida íntima com um enorme lote de mulheres de diversos estados civis. Por ele passaram, solteiras, casadas e viúvas. A todas tentava dar o máximo de atenção, no Vimieiro, no palácio de São Bento ou em hotéis de Lisboa, porém os seus compromissos oficiais nem sempre l...