Para qualquer país ou empresa é fundamental saber exatamente
para onde se quer ir, pois só de seguida se pode escolher o rumo a tomar,
evitando-se, assim, inversões de marcha sempre indesejadas. Depois há que
definir e implementar, com rigor, a estratégia mais adequada.
E se estes passos, e a sua sequência, são sempre
importantes, eles são cruciais em tempos de dificuldades, em épocas de crise,
em que dificilmente dispomos de uma segunda oportunidade.
Pois bem, é disso que se trata quando estamos perante opções
que temos que fazer ao nível dos investimentos estruturantes para a
competitividade do nosso país e dos nossos territórios.
O plano Juncker, um grande plano de investimentos públicos
para a Europa, lançado pela comissão europeia, tem um elevado potencial para a
dinamização geral da economia, mas sobretudo tem um elevado potencial para a
dinamização da economia portuguesa. Porém, tal só acontecerá se o governo
souber aproveitar essa oportunidade. É que o governo português sempre negou que
Portugal precisasse de uma resposta europeia, sempre negou que tivéssemos necessidade
de investimento público. Todos bem nos lembramos, a este propósito, das intervenções
de Passos Coelho sobre esta matéria nas reuniões do conselho.
E o que não deixa de ser curioso é que da lista dos projetos
a que o governo agora quer deitar mão lá estejam aqueles que renegou. Aqueles
que vindo de anteriores governos ele não prosseguiu ou abandou nestes últimos
anos por puro preconceito ideológico, como são os casos das energias eólica e
hídrica.
E isto tem duas leituras. Ou o governo não acredita nestes
projetos de investimento ou andou a enganar os portugueses, como, aliás, fez em
tantas outras áreas.
É que a política energética e dentro desta a sua vertente
das renováveis é hoje um dos principais pilares para o nosso futuro coletivo. E
importa que continuemos com o seu aprofundamento seguindo as bases lançadas
pelos anteriores governos socialistas. O nosso futuro está na sustentabilidade
energética e no seu elevado potencial de crescimento.
Mas este plano Juncker deveria também ser utilizado para uma
outra dimensão, a da qualificação das pessoas, uma das áreas mais abandonadas
por este governo e com maior carga ideológica neoliberal, de ataque à igualdade
de oportunidades.
Um programa de qualificação dos jovens, de combate ao
abandono e insucesso escolar, mas também de promoção do sistema científico em
articulação com as empresas, são aspetos da maior centralidade para a
competitividade do nosso país e que este governo não valoriza.
É que a mão-de-obra barata não é a panaceia para resolver os
nossos problemas.
Precisamos mesmo é de um outro olhar, de um olhar
alternativo sobre a política e sobre o papel dos governos na dinamização da economia
e no combate ao desemprego.
Acácio Pinto
Diário de Viseu