Também me incluo no grupo
daqueles que entendem que qualquer cidadão pode ter um lapso ou uma dificuldade
económica que gere um atraso nos pagamentos das suas obrigações perante o fisco
ou a segurança social. Duas, entre muitas outras explicações, simples, para sabermos
da causa de um atraso.
Porém, o que é facto é que a
dívida à segurança social de Passos Coelho, o atual primeiro-ministro, já foi
alvo das mais variadas explicações pelo próprio. Aliás, de cada vez que Passos fala
surge uma nova abordagem, uma nova perspetiva, uma outra explicação para o
mesmo facto, revelando, nesta matéria, uma incomensurável inovação explicativa.
Falta de notificação,
esquecimento, desconhecimento da lei, falta de dinheiro… enfim, um rol de
causas apresentadas por Passos Coelho que deixam qualquer mortal sem saber a
quantas anda, fazendo igualmente lembrar toda aquela embrulhada do subsídio de
reintegração e da exclusividade do deputado Passos, ou do caso das “remunerações”
da Tecnoforma.
Parece mesmo que tudo o que tem a
ver com o honesto Passos está fadado a não ser facilmente compreendido, vá-se
lá saber porquê.
Sobre este assunto o presidente
da república, Aníbal Cavaco Silva, – aquele que só pagou a sisa da sua casa na
aldeia da Coelha depois de notificado e que também não se lembrava do local
onde tinha efetuado a escritura de permuta – interpelado pelos jornalistas, saiu
em defesa do seu “protegido” Passos Coelho, dizendo que se tratava de
controvérsias políticas que cheiravam a campanha eleitoral.
Lamentável, esta defesa de Passos
Coelho por parte de Cavaco Silva, porém, nada de diferente daquilo que o
inquilino do palácio de Belém tem vindo a fazer ao longo dos últimos 4 anos:
almofadar a atuação de Passos e do seu governo.
Isto é, Cavaco Silva, o mesmo que
inconseguiu explicar as suas relações comerciais com o BPN, se crispou a falar
sobre o BES, o mesmo que fez aquele célebre discurso contra o governo quando
tomou posse em 2011, o mesmo que descobriu espiões infiltrados em Belém, vem
mais uma vez dar um “ar da sua graça” e comentar um assunto sobre o qual ou se
calava ou dizia o óbvio, que Passos Coelho deveria ter pedido desculpa aos portugueses
pelo seu comportamento, conforme disseram os tais comentadores que, segundo
ele, ganham a vida a comentar “todo o tipo de polémicas político-partidárias”.
Ora este episódio, para além da
condenação que merece e da óbvia explicação que carece, vem demonstrar à
saciedade da absoluta necessidade que temos de realizar eleições legislativas e
eleições presidenciais que levem à substituição dos titulares de são Bento e de
Belém.
Acácio Pino
Diário de Viseu