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Quando os leitores querem fazer a rota dos romances

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LER TAMBÉM AQUI . Há experiências que nos ficam na memória de uma forma muito especial. E a que vivi no passado dia 26 de setembro foi, para mim, uma dessas experiências. Tive o enorme gosto de acompanhar 23 leitores espanhóis do Clube de Leitura “Leituras à Volta da Mesa” , de Salamanca, numa jornada a que deram o nome de “Rotas literárias portuguesas inspiradas nos livros O Volframista e O Leitor de Dicionários ” . Foi um magnífico dia pelos lugares que deram corpo e inspiração aos dois romances. Mas, sobretudo, foi um dia de encontro, de partilha e de diálogo em torno dos livros e das histórias que neles se contam. A manhã foi dedicada a O Volframista . Começámos na Queiriga, concelho de Vila Nova de Paiva, com uma visita à exposição fotográfica “Queiriga, Terra de Minas e de Mineiros”, que nos transportou para um tempo em que a exploração do volfrâmio marcou profundamente a vida desta comunidade. Depois, seguimos para as minas do Rebentão, no Couto Mineiro de Lagares. Ali, nas gal...

Filipa Martins esteve na Biblioteca da Figueira da Foz

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A rentrée das 5.asde Leitura , iniciativa da Biblioteca Municipal da Figueira da Foz , teve lugar no dia 17 de setembro, após a paragem de agosto! O pontapé de entrada na estação de outono-inverno foi dado pela Filipa Martins , romancista, argumentista e autora de vários livros. Na moderação, desta feita, esteve Manuel Portela que abriu com um excelente texto (mas um tudo-nada spoiler)  interpretado a duas vozes, a sua e a de Maria José Paiva Carvalho. Quanto à convidada, que não conhecia, que nunca tinha ouvido, que nunca tinha lido (falha minha!), desfiou-nos os meandros do seu último romance,  No Meu Fim Está o Meu Começo . Os processos que estiveram na sua génese. As envolvências familiares que o enredaram. A sua mãe. A sua avó. Os filhos de pais incógnitos. E o contexto social de uma época, bem datada. O Estado Novo. Em que a intimidade era devassada. A vigilância era apertada. A mulher era subjugada. A violação não existia. Porque a palavra era desconhecida. ...

Lavadouro de Buarcos recebeu O Emigrante

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O Emigrante , de Acácio Pinto,   foi muito bem recebido numa terra que também é sua. Desde a sua génese. Desde que a ideia germinou que o concelho da Figueira da Foz - sobretudo Bunhos (nome literário de Buarcos), Serra da Boa Viagem e Murtinheira (Quiaios) - faz parte da sua geografia, juntamente com a região de Viseu. Desde o início que estas ' personagens espaciais' acompanham esta narrativa que tem como foco principal a emigração a salto para França nos anos 60. E não só. Uma vez que depois do regresso das personagens a Portugal, depois da emigração, há uma catadupa de pormenores, de segredos que vão fazer a narrativa evoluir de forma surpreendente. Pois bem, foi no dia 19 de setembro que os buarquenses e os figueirenses puderam escutar as palavras competentes de Isac Loureiro, o apresentador do romance O Emigrante, numa sessão que teve lugar no Lavadouro de Buarcos. Antes dele falou a presidente da Junta de Freguesia de Buarcos, Rosa Batista, que usou da palavra para sau...

“O Emigrante” de Acácio Pinto é apresentado sábado em Buarcos

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Romance sobre a emigração “a salto” para França tem em Buarcos e na Figueira da Foz um dos seus principais territórios narrativos Buarcos recebe no próximo sábado, 19 de setembro, pelas 17h30, no Lavadouro de Buarcos, a apresentação de O Emigrante , romance de Acácio Pinto. A iniciativa, de entrada livre, realiza-se em parceria com a Junta de Freguesia de Buarcos e contará com a presença da presidente da Junta, Professora Rosa Batista. A apresentação do romance estará a cargo de Isac Loureiro, presidente da associação União Futebol de Buarcos e antigo presidente da Junta de Freguesia. Publicado em 2025, O Emigrante aborda a emigração portuguesa “a salto” para França nos anos 60, acompanhando vidas marcadas pela partida, pela distância, pelos segredos familiares e pelas consequências que a emigração deixou em mais do que uma geração. Embora uma das personagens centrais, Renato, seja oriunda da região de Viseu, Buarcos — designada Bunhos no romance — assume uma presença muito part...

Atropelamento junto à Torre do Relógio: uma coincidência literária inesperadamente atual

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  Há coincidências que a literatura não planeia. E que a realidade, muitos anos depois, torna inesperadamente atuais. Em O Emigrante , romance que publiquei em 2025, há uma cena passada em 1999 que decorre num lugar muito conhecido da Figueira da Foz. Augusto, natural de Bunhos (nome literário de Buarcos), seguia pela marginal da Figueira da Foz. Depois de passar pelo “oásis” da Praia da Claridade, seguiu em direção ao Tubarão, a marisqueira e cervejaria que existia junto à Torre do Relógio. Ao atravessar a passadeira, um automóvel que circulava em grande velocidade atropelou-o. É ficção, porém é assim que a história está escrita na página 207 do romance. Todavia, 27 anos depois desse atropelamento narrado no romance, a segurança e a circulação automóvel naquele mesmo espaço voltam a estar no centro da discussão na Figueira da Foz. Sem pretender antecipar o futuro, O Emigrante acabou, curiosamente, por guardar nas suas páginas uma cena que hoje ganha uma inesperada atualidade. Ha...

A inovação da Festa do Senhor Jesus dos Navegantes de há 100 anos

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 Diz o romance Um Republicano na Mira da PIDE  que há 100 anos o arraial da Festa do Senhor Jesus dos Navegantes, em Ílhavo, iria ter uma inovação: iluminação. Porém, tal inovação,  que o responsável pelos serviços elétricos da câmara, Artur Sacramento, se havia disponibilizado por fazer, poderia não acontecer, segundo um dos mordomos. O diálogo (pág. 86). - Parece que o Dr. Júlio quer correr com o Artur Sacramento! Lá se vai a colocação de lâmpadas no largo da igreja! - Como é possível fazerem isso a um homem que nos trouxe a luz? De facto a comissão administrativa da câmara de Ílhavo, presidida por Júlio Calisto, devido ao descalabro financeiro que as contas dos serviços elétricos apresentavam, na reunião de 31 de agosto, decidiu avançar com uma auditoria à gestão de Artur Sacramento que veio a culminar na extinção do seu lugar e na respetiva saída. Refira-se que a iluminação elétrica de Ílhavo tinha sido inaugurada em 12 de dezembro de 1925, com pompa e circunstância, ...

O Ílhavo que a PIDE vigiava

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  Há cidades que guardam a sua história nos edifícios, nas praças, nos arquivos e nas fotografias antigas. E há outras histórias que permanecem sobretudo na memória das pessoas que as viveram. Ao escrever UmRepublicano na Mira da PIDE , percebi que estava, de alguma forma, a entrar num desses territórios de memória: o Ílhavo das décadas de 40, 50 e 60, quando a oposição ao Estado Novo tinha rostos, nomes, reuniões, comícios, jornais, panfletos e, também, uma polícia política atenta a cada movimento. O advogado JúlioCalisto é a figura central do romance. Nascido no Tojal, concelho de Sátão, estabeleceu-se em Ílhavo, onde exerceu advocacia e desenvolveu uma intensa atividade política. Em 1926 presidiu à Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Ílhavo. Mais tarde, já sob o Estado Novo, tornar-se-ia uma das figuras da oposição democrática na região de Aveiro. A sua história política foi feita de combates eleitorais, de iniciativas da oposição, de amizades e cumplicidades p...