Descortiçamento: Uma atividade antiga e economicamente importante para Portugal

 


Tendo plantado um sobreiro no meu terreno, em Sátão, na River House Sátão, e tendo o mesmo, volvidos 28 anos, atingido a idade e as dimensões para o primeiro descortiçamento, decidi meter mãos à obra.

Li alguns artigos, vi alguns vídeos e vai daí, num dia deste mês de julho, depois de arranjar uma machada arredondada, que afiei a preceito, fui-me a ele.

Era uma ‘première’ e, confesso-vos, que estava com algum receio em dar o primeiro corte, pois tinha lido que não se deveriam efetuar golpes muito profundos para não ferir o tronco e afetar a futura extração.

E as dificuldades surgiram de imediato. Não consegui efetuar um corte direito e certeiro. A machada não obedecia ao meu olhar e embatia ao lado da linha imaginária que eu definia. Que diferença, face aos vídeos que eu fui vendo!

Depois era a intensidade, algumas machadadas poderem perfurar o tronco. Não foram muitas, mas algumas delas feriram a futura cortiça. Depois era descoser do tronco a cortiça cortada, encontrando, também aí, algumas dificuldades que superei com paciência. Com a ponta da machada e depois com o cabo da mesma lá fui descosendo a cortiça virgem. Sim, chama-se virgem, a cortiça que resulta do primeiro descortiçamento.

E, step by step, lá fui indo, até que , no segundo corte, mais acima, as coisas já correram melhor e consegui, até, retirar do tronco do sobreiro o ‘cilindro’ de cortiça completo.

Enfim, uma aventura, de que me saí, bem! Daqui a 9 anos, haverá mais, haverá cortiça secundeira.

Diga-se que, para rolhas, só o terceiro descortiçamento e seguintes permitem ter cortiça com a homogeneidade e espessura necessárias.

CURIOSIDADES

Sobreiro (Quercus suber) – Árvore nacional de Portugal por decisão da Assembleia da República em 2011

Primeiro descortiçamento – Quando o perímetro tiver 70 cm a 1,3 metro do solo, o que acontece, normalmente, aos 25 anos, embora, agora já comece a haver espécies de sobreiros que dão cortiça mais cedo.

Cortiça virgem – Cortiça do primeiro descortiçamento

Cortiça secundeira – Cortiça do segundo descortiçamento

Cortiça amadia – Cortiça a partir do terceiro descortiçamento

Duração da produção de cortiça de um sobreiro – Cerca de 150 anos

Quando se efetua o descortiçamento – De meados de maio a meados de agosto

Primeiras referências à cortiça – Egípcios e Persas, 3000 anos a.C. onde eram utilizadas nos aparelhos de pesca. Porém, as suas propriedades já eram conhecidas dos Babilónios, Assírios e Fenícios.

Primeiro produtor mundial de cortiça – Portugal (55% da produção mundial)

Maior área de montado de sobro do Mundo – Portugal, com com 720 mil hectares tem 34% da área total mundial de montado de sobro.

309 gramas – Quantidade de CO2 sequestrado por uma rolha natural de cortiça. Cada ano, as florestas de sobro retêm 14 milhões de CO2 e esta capacidade estende-se aos produtos de cortiça, incluindo as rolhas, que prolongam esta função. Mas não é tudo. Durante o processo de autorregeneração que sucede ao descortiçamento, a capacidade de absorção de CO2 da árvore aumenta cinco vezes.  Depois de extraída a cortiça, a árvore protege ainda mais o ambiente.

90% – É a percentagem do volume da cortiça que é gás. A cortiça é muito leve graças à sua estrutura alveolar, com células preenchidas com um gás semelhante ao ar.

FONTES: https://www.amorimcork.com/pt/ | https://www.apcor.pt/