Lisboa, 26 de Agosto de 2015
Caras e caros amigos,
Nestas eleições, temos uma decisão de fundo a tomar sobre o
nosso modelo de desenvolvimento: aceitamos, como a direita defende, que só com
empobrecimento e precariedade seremos competitivos ou, em alternativa,
batemo-nos por um modelo que investe no conhecimento e na inovação como a chave
do desenvolvimento?
Os nossos setores económicos tradicionais são mesmo o bom
exemplo do rumo certo para alcançarmos os resultados desejados. Quando foram
considerados sem futuro, que fizeram? Prosseguiram a estratégia de reduzir
custos com recurso à mão de obra infantil e à contrafação? Não, não fizeram
isso. Pelo contrário! Apostaram na inovação, na qualificação da gestão, na
diferenciação dos seus produtos, competindo pelo valor acrescentado. E assim se
modernizaram importantes sectores no calçado, no têxtil, no agroalimentar ou na
metalomecânica.
A cultura, a ciência, a educação e a formação ao longo da
vida são os pilares da sociedade do conhecimento, garantia de uma cidadania
ativa, condição da capacidade para enfrentar as incertezas do futuro, habitat
natural de uma economia empreendedora, criativa, inovadora e que se
internacionaliza.
Para crescer, temos de recuperar competitividade. A direita
defende que é empobrecendo coletivamente, reduzindo salários, eliminando
direitos laborais, privatizando o estado social, diminuindo os impostos sobre
as empresas, que seremos competitivos. O resultado desta estratégia está à
vista. Regredimos a 2002 no PIB, a 1990 no investimento… E mesmo as tão faladas
exportações limitaram-se a evoluir em linha com o período 2005/2008 e graças a
investimentos decididos antes de 2011.
Não podemos prosseguir esta trajetória de retrocesso. O
nosso caminho é o da inovação e inovar exige investimento no conhecimento. Esta
é a primeira grande opção sobre o modelo de sociedade em que queremos viver.
Porque esta opção tem consequências várias, por exemplo, na visão sobre o
mercado de trabalho ou na fiscalidade. Não há empresas inovadoras assentes na
precariedade. Inovação exige investir na qualificação e na formação ao longo da
vida dos trabalhadores. A precariedade é o incentivo errado. A produtividade
que precisamos não é a que resulta da redução do salário, mas do aumento do
valor produzido. Temos de realinhar os incentivos: em alternativa à redução
indiscriminada do IRC ou da TSU, devemos ser seletivos, concentrando os
incentivos nos investimentos em inovação e no combate à precariedade laboral.
Por isso, o que é prioritário? Promover a cultura e a
ciência, combater o insucesso escolar e garantir os 12 anos de escolaridade,
apostar na educação de adultos e na formação ao longo da vida, valorizar o
ensino superior, investir em centros tecnológicos e no emprego massivo de
jovens licenciados na modernização do tecido empresarial, apoiar a
capitalização das empresas, o empreendedorismo, a internacionalização.
Queremos travar o êxodo dos jovens mais qualificados? Queremos
aumentar a natalidade? Apostemos na inovação, pois só assim teremos emprego de
qualidade. Ao contrário do que a direita pensa, as reformas que precisamos no
mercado de trabalho não são as que nos permitem competir pela pobreza, mas sim
as que nos permitem travar o êxodo migratório dos jovens, com emprego digno,
que atraia, fixe e dê confiança no futuro às novas gerações.
Esta é a primeira opção de fundo que temos de fazer nestas
eleições. A minha escolha é clara e é essa que vos proponho. Defendo um modelo
de desenvolvimento assente no investimento no conhecimento e na inovação e no
combate à precariedade e ao empobrecimento.
Até amanhã, os meus melhores cumprimentos.
António Costa