Declamação do poema "liberdade" de Armindo Rodrigues, por Maria Barroso no dia 23 de abril de 2015, interpelada pela deputada Cecília Honório, durante um café literário realizado na biblioteca da Assembleia da República, promovido pela presidente da AR, moderado por Maria Flor Pedroso e em que eu participei, como autor, conjuntamente com outros deputados...
Publico-o hoje... dia da sua morte...
É o meu tributo a Maria Jesus Barroso, fundadora do PS, mulher de causas, cidadã de corpo inteiro!
(imagens de AR TV)
Nota de condolências do PS pela morte de Maria Barroso:
«O Partido Socialista e o seu secretário-geral, António
Costa, manifestam a sua mais profunda emoção e consternação pelo falecimento da
nossa camarada, fundadora e militante nº 6, Maria de Jesus Simões Barroso
Soares. A sua morte constitui uma perda irreparável para o PS e para o país,
que nela sempre viu – e admirou - uma mulher de combate, com uma atividade
incansável em prol dos seus ideais e das suas convicções.
Maria Barroso começou a demonstrar cedo essa atitude
indomável perante a vida ao abandonar uma carreira onde já era reconhecida como
uma das melhores atrizes portuguesas para partilhar o combate pela democracia
com o seu marido, Mário Soares, estando presente no ato fundador do Partido
Socialista, em 19 de Abril de 1973, em Bad Munstereifel, na Alemanha.
Mas Maria Barroso sempre teve uma voz e um papel próprios
nesse combate. Foi candidata pela oposição democrática em 1969. Perante a
ditadura, demonstrou bem essa sua permanente característica de firmeza e
resistência, de “antes quebrar do que que torcer”. Atitude que sempre manteve
até ao fim da sua vida, nas mais diversas funções, com uma sempre muito
respeitada intervenção política e social em diferentes domínios.
Depois do 25 de Abril, esse “dia inicial inteiro e limpo” de
que falava a sua amiga Sophia de Mello Breyner, Maria Barroso constituiu sempre
uma voz ativa em defesa dos valores da democracia e da solidariedade,
incansável na defesa dos mais desfavorecidos e no combate à exclusão social.
Em 1976 foi eleita pela primeira vez deputada pelo Partido
Socialista, tendo sido reeleita em mais três legislaturas.
Maria Barroso foi uma exemplar primeira-dama de Portugal,
com uma ação permanente e influente nos mais diversos domínios sociais. Depois
disso foi presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, com a dedicação e o empenho
de sempre. Viria a fundar a Fundação Pro Dignitate, em prol dos Direitos
Humanos, com atividade em Portugal e nos países de Língua Oficial Portuguesa
nessa área e na da prevenção da violência. Foi também uma pedagoga, com uma
ação notável à frente do Colégio Moderno.
Maria Barroso teve uma vida cheia, sendo sempre capaz de
aliar essa sua intervenção na sociedade à sua sempre presente condição de
mulher, mãe e avó.
O Partido Socialista acaba de perder hoje uma sua grande
referência, uma militante notável e sempre empenhada. Portugal perde uma cidadã
excepcional.
O secretário-geral e o Secretariado Nacional do PS partilham
a grande emoção, profunda dor e sensação de perda que neste momento é sentida
por todos os socialistas. O PS está de luto e foi dada indicação para que as
bandeiras do Partido hasteadas nas suas sedes sejam colocadas a meia-haste,
numa homenagem sentida à nossa querida camarada Maria Barroso.
O secretário-geral António Costa e o Secretariado Nacional
do PS apresentam as suas mais sentidas condolências a toda a família que acaba
de sofrer uma perda tremenda. Em particular, ao seu marido, o nosso camarada
Mário Soares, aos filhos Isabel e João, aos netos, queremos fazer chegar uma
mensagem de solidariedade num momento tão difícil como este. A sua dor é a
nossa dor.
"Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação,
E nunca as minhas mãos ficam vazias."
(Sophia de Mello
Breyner Andresen)
(www.ps.pt)