O Partido Socialista acusa a direita de estar apostada em
descapitalizar a Segurança Social pública. Lembra que a proposta de
plafonamento defendida pela coligação PAF é um primeiro e decisivo passo para
entregar o sistema público ao sector privado.
Em Odivelas, num debate que juntou militantes
socialistas e simpatizantes de todas as idades, no dia 30 de julho, António Costa deixou claro que
o PS não vai cortar nas pensões, nem permitirá o plafonamento das contribuições
defendido pela ainda maioria.
O líder socialista deixou o alerta para o caso de a
coligação continuar a ser Governo, que seria sobre a classe média que recairia
a responsabilidade de pagar para ter Educação, Saúde e Segurança Social.
A sustentabilidade da Segurança Social foi aliás um dos
temas mais abordados pelos participantes neste “Encontro de Gerações”, assim
como as políticas de emprego e os apoios sociais, com muitas críticas ao atual
Governo e ao programa que a coligação PSD/CDS apresentou aos portugueses.
Para o Secretário-geral do PS, o programa deste Governo,
“depois de se terem empenhado” em privatizar tudo o que era público, é agora
“privatizar os serviços sociais como a Saúde, a Escola Pública e a Segurança
Social”.
Quanto ao anunciado desejo da direita no plafonamento da
Segurança Social, António Costa garantiu que, caso a medida fosse em frente,
haveria uma perda de 17% das suas receitas, não se tratando por isso, de uma
medida de estímulo à economia, “mas sim uma capitalização do sector privado e
uma descapitalização do sector público”, com um prejuízo que “iria perdurar
durante duas gerações”.
António Costa acusou ainda o Governo de ter “uma agenda
escondida” insistindo na necessidade de a coligação de direita esclarecer onde
irá cortar os 600 milhões de euros que “prometeu por escrito a Bruxelas”.
Esclarecimento que para o líder do PS é tão ou mais
importante porque “não podemos permitir”, como referiu, que esta campanha
eleitoral “se faça sem que haja uma explicação cabal do que se pretende fazer”,
uma vez que o programa eleitoral apresentado pela direita “omite este e outros
factos”.
Combater o desemprego
e estancar a emigração
Depois de garantir que não vai cortar nas pensões, caso o PS
vença as próximas eleições legislativas em 4 de outubro, António Costa declarou
que o que tem afetado a sustentabilidade da Segurança Social é o desemprego e a
emigração e que inverter esta problemática passa, em primeiro lugar, pela
“confiança na corrente intergeracional”.
O líder socialista garantiu ainda que irá baixar o IVA da
restauração e repor o Complemento Solidário para Idosos e o Abono de Família
para os valores de há quatro anos, tendo ainda assegurado que de nada valerá ao
PSD e ao CDS “martelar ou espremer a realidade e fantasiar com o país”, porque
o PS está preparado para “ dar luta à coligação de direita.