Avançar para o conteúdo principal

[opinião jornal i] Pairam nuvens negras sobre a educação em Portugal

Artigo sobre educação que publiquei na edição de hoje, 5 de janeiro, do JORNAL i  e que aqui deixo também na íntegra:
«A educação é uma arma política, porventura a primeira, que os estados têm para combater as desigualdades que os cidadãos transportam a partir do nascimento.
E isto só se consegue com uma educação pública para todos e com uma escola pública onde todos tenham lugar. Uma escola imune à instrumentalização por classes, por credos e por raças. Uma escola e um serviço público que promova, de forma consistente, os quatro pilares da educação: o saber, o saber fazer, o saber ser e saber viver juntos.
Só a partir daqui podemos aspirar a uma sociedade mais justa e menos iníqua.
Portanto, se estes forem os elementos norteadores das políticas públicas para a educação qualquer governo tem que ter a noção exata de que ao combatê-los e ao cortar no orçamento da educação terá sempre um preço a jusante: o preço do elitismo e da seletividade.
Pois bem, reside aqui o busílis da questão no que concerne às políticas que o atual governo do PSD e do CDS, através de Nuno Crato, tem vindo a desenvolver.
São evidentes as marcas de combate aos pressupostos supra enunciados por parte dos atuais governantes, a começar pelo próprio primeiro-ministro.
Falam no fim da gratuitidade da educação obrigatória através do copagamento, falam do cheque ensino e aumentam em 5.000 euros os contratos de associação para os colégios privados, em paralelo com uma enorme redução do orçamento para a educação, que já não chega aos 4% do PIB. Evidências inequívocas sobre o rumo que está a ser seguido por este governo.
A acrescer, procedeu-se a um recuo na autonomia e a uma (re)centralização das decisões em Lisboa, na 5 de outubro e na 24 de julho, e a um relacionamento eletrónico das escolas com a administração; efetuou-se a dita extinção das direções regionais de educação mas (pasme-se!) criaram-se as direções de serviços regionais, dirigidas por delegados regionais de educação; escreveram-se mais de 500 páginas, só no verão de 2012, com instruções e notas técnicas para as escolas e para os professores se relacionarem com as plataformas, nas colocações.
Mas esta deriva – atabalhoada mas com objetivos claros! – não fica por aqui. Aumentou-se o número de alunos por turma, transformaram-se provas de aferição em exames, no 4º ano, reduziu-se o recorrente às áreas urbanas, acabou-se com as novas oportunidades, dificultou-se a vida aos alunos com necessidades educativas especiais, acabou-se com a formação cívica obrigatória e faz-se tábua rasa de sentenças judiciais.
Tudo decisões inversas de um certo discurso em sentido oposto de Nuno Crato, com sorriso nos lábios, que se aproxima da hipocrisia mas que tem anestesiado muitos agentes e observadores públicos. Cada vez menos, diga-se.
E, para cúmulo de tudo isto, Nuno Crato, nem sequer teve a humildade de conseguir “tirar o chapéu” aos bons resultados que obtivemos nas avaliações internacionais de 2011 (TIMSS e PIRLS) em matemática, ciências e literacia em que os resultados de Portugal são melhores, veja-se bem, do que os da Alemanha e Suécia onde ele se tem andado a inspirar. Será por serem do governo anterior? Será por serem um exemplo do bom trabalho que é feito pelos profissionais de educação?
Assim, o futuro vai ser muito negro para a escola pública e para o serviço público de educação!
Acácio Pinto
Deputado do PS»

Mensagens populares deste blogue

Sermos David e Rafael, acalma-nos? Não, mas ampara-nos e torna-nos mais humanos!

  As palavras, essas, estão todas ditas. Todas. Mas continua a faltar-nos, a faltar-me, a compreensão. Uma explicação que seja. Só uma, para tão cruel desenlace. Da antiguidade até ao agora, o que é que ainda não foi dito? O que é que falta dizer? Nada e tudo. E aqui continuamos, longe, muito distantes, de encontrar a chave que nos abra a porta deste paradoxo. Bem sei que, quiçá, essa procura é uma impossibilidade. Que não existe qualquer via de acesso aos insondáveis desígnios. Da vida e da morte. Dos tempos de viver e de morrer. Não existe. E quando esses intentos acontecem em idades prematuras? Em idades temporãs? Tenras? Quando os olhos brilham? Quando os sonhos semeados estão a germinar? Aí, tudo colapsa. É a revolta. É o caos. Sermos David e Rafael, nestes tempos cruéis, não nos acalma. Sermos comunidade, não nos sossega. Partilharmos a dor da família, não nos apazigua. Sermos solidários, não nos aquieta. Bem sei que não. Mas, sejamos tudo isso, pois ainda é o q...

Frontal, genuíno, prestável: era assim o António Figueiredo Pina!

  Conheci-o no final dos anos 70. Trabalhava numa loja comercial, onde se vendia de tudo um pouco. Numa loja localizada na rua principal de Sátão, nas imediações do Foto Bela e do Café Sátão. Ali bem ao lado da barbearia, por Garret conhecida, e em frente da Papelaria Jota. Depois, ainda na rua principal, deslocou-se para o cruzamento de Rio de Moinhos, onde prosseguiu a sua atividade e onde se consolidou como comerciante de referência. Onde lançou e desenvolveu a marca que era conhecida em todo o concelho, a Casa Pina, recheando a sua loja de uma multiplicidade de ferramentas, tintas e artefactos. Sim, falo do António Figueiredo Pina. Do Pinita, como era tratado por tantos amigos e com quem estive, há cerca de um mês e meio, em sua casa. Conheceu-me e eu senti-me reconfortado, conforto que, naquele momento, creio que foi recíproco. - És o Acácio - disse, olhando-me nos olhos. Olhar que gravei e que guardo! Quem nunca entrou na sua loja para comprar fosse lá o que fosse? Naquel...

Murganheira: O melhor espumante de Portugal!

LETRASECONTEUDOS.PT Ficam no concelho de Tarouca, em Ucanha, a norte do distrito de Viseu, e são um mundo escondido sob aquela colina revestida pela vinha alinhada e bem verde, no verão, antes da colheita das uvas touriga, tinta roriz, gouveio, cerceal, chardonnay ou pinot . Trata-se das Caves da Murganheira e ali estão há mais de 60 anos.  Situadas num espaço magnífico, de transição entre a Beira e o Douro, as Caves da Murganheira conjugam modernidade e tradição. A modernidade do edifício onde se comercializa e prova o segredo encerrado em cada garrafa de espumante e a tradição das galerias das caves "escavadas" a pólvora e dinamite naquele maciço de granito azul. E se no edifício de prova - com um amplo salão, moderno e funcional, com uma enorme janela aberta sobre a magnífica paisagem vinhateira, que encantou os cistercienses - é necessário ar condicionado para manter uma temperatura, que contraste com o agreste calor estival, já nas galerias subterrâneas a temperatura...