Da esquerda para a direita: Manuel António Costa, Fernando Figueiredo, Américo Ribeiro, Acácio Pinto, Vítor Pires, José António Correia. |
Dia 6 de maio de 1984. Já lá vão 40 anos, mas ainda me lembro muito bem desse dia.
O PS, no Sátão, fruto de diversas circunstâncias que não importa agora elencar, tinha uma escassa implantação autárquica, pois não tinha nenhum vereador na câmara municipal nem nenhuma presidência das doze juntas de freguesias.
Dispunha, apenas, de três deputados eleitos na Assembleia Municipal – Manuel Oliveira Granja, Carlos Carvalho dos Santos e Silvino Fernandes Vieira – e treze deputados nas assembleias de freguesia – dois em Águas Boas, Manuel da Fonseca Dias e António Dias Mota; um no Avelal, Agostinho Carlos de Oliveira; um em Decermilo, Manuel Ferreira de Figueiredo; um em Mioma, Aníbal Gomes de Almeida Ceia; um em Rio de Moinhos, Luís Manuel Fernandes Cabral; três na Romãs, Gaspar Augusto Pais, Américo Augusto Ribeiro e António Lopes Ferreira; três em São Miguel de Vila Boa, Adriano Lourenço Almeida, Acácio Ferreira Albuquerque e José Pais Lopes de Almeida; e um em Sátão, Aníbal Inácio.
Ainda assim, apesar dos poucos autarcas eleitos, a Comissão Política Concelhia decidiu levar a cabo um inédito encontro concelhio de autarcas socialistas, uma iniciativa política pouco comum, mesmo para os dois partidos mais representativos do concelho, o CDS e o PSD.
Foi uma decisão arrojada, porém, após várias reuniões (nesse tempo faziam-se reuniões regulares dos órgãos partidários com a participação dos militantes), foi entendido que seria muito importante, a realização do encontro de autarcas, para a afirmação do PS no concelho. Para além disso seria um bom fórum para a partilha de experiências e para o aprofundamento, apoio e interação entre todos os eleitos e apoiantes do PS.
Mobilizaram-se vontades, distribuíram-se tarefas entre os membros da comissão política e eis que no dia aprazado, o primeiro domingo de maio de 1984, tudo estava a postos.
Os convites aos autarcas eleitos, aos candidatos não eleitos e aos que se quisessem associar tinham sido expedidos pelo correio ou entregues em mão (não havia e-mail, whatsapp nem sms), as pastas com os documentos e legislação autárquica fornecidas pela Fundação Antero de Quental estavam organizadas, o cartaz tinha sido desenhado e pintado por voluntários, durante várias noites, em papel de cenário e o lanche a servir no final tinha sido encomendado numa pensão local, a que acresceram algumas iguarias trazidas por alguns dos organizadores.

E foi assim que, naquele primeiro encontro de autarcas socialistas do concelho, que teve lugar na Casa do Povo de Sátão, se juntaram mais de trinta militantes, simpatizantes e apoiantes do PS, correspondendo ao repto dos dirigentes partidários locais.
As intervenções estiveram por conta de Américo Augusto Ribeiro, que residia em Rãs e era um dinâmico secretário da junta de Romãs, Vítor Pires, da concelhia socialista de Penalva do Castelo, e de mim, que, para além de estar na concelhia, era membro da assembleia de freguesia de Romãs.
No final das intervenções foram colocadas diversas questões por parte dos presentes a que se seguiu, numa sala ao lado, a degustação do lanche convívio.
Não poderia finalizar esta memória sem relembrar Fernando José da Costa Figueiredo, o grande obreiro e dinamizador do PS de Sátão, José António Cerdeira Correia, um generoso e incansável socialista de Mioma e José Albino, funcionário do PS, que ajudou na logística e na articulação com as instâncias partidárias a nível distrital e nacional.