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Jorge Coelho

Privei com ele, de uma forma mais intensa, quando ele era Ministro do Equipamento Social, em 2000 e 2001, era eu chefe de gabinete de José Junqueiro, seu Secretário de Estado, de um governo liderado por António Guterres.

Refiro-me, claro está, a Jorge Coelho, um mangualdense que hoje nos deixou, aos 66 anos de idade.

Dele guardo a sua simpatia, a sua generosidade, a sua solidariedade, a sua amizade. Socialista dos quatro costados, Jorge Coelho era, quase sempre, a voz mais aguardada nos comícios do PS. Ele tinha o dom de empolgar os militantes e simpatizantes, sempre que intervinha. Eram palavras diretas, sem qualquer rebuço que não fosse o de ser bem interpretado por todos quantos o escutavam. Eram ideias claras, diretas, palavras de raiz popular, quantas vezes duras, quando tinha de ser, e integradas em discursos ditos em tom forte.

Guardo, desse tempo, uma noite aziaga de março. Uma noite em que o homem, o ministro, numa decisão solitária, ousou não se esconder, não alijar responsabilidades, e de uma forma frontal, dizer aqui estou, julguem-me, pois “a culpa não pode morrer solteira” e demitiu-se. Em causa estava a queda da ponte de Entre-Os-Rios e a morte de dezenas de pessoas, em que ele, de facto, nenhuma culpa tinha.

Desde então, foram muitas as vezes que nos voltámos a cruzar. Quase sempre em Mangualde, onde decidiu investir e onde não havia comício, ou festa do PS em que ele não subisse ao palco para deixar à plateia as palavras simples que ninguém como ele sabia tão bem conjugar.

A última vez que com ele estive, pessoalmente, foi no comício das europeias de 2019, em Mangualde.

Neste dia de tristeza e profundo pesar deixo a minha fraterna solidariedade à família, ao PS e a Mangualde, território natal que ele nunca olvidava, fosse em que circunstância fosse.

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