Refiro-me, claro está, a Jorge Coelho, um mangualdense que
hoje nos deixou, aos 66 anos de idade.
Dele guardo a sua simpatia, a sua generosidade, a sua
solidariedade, a sua amizade. Socialista dos quatro costados, Jorge Coelho era,
quase sempre, a voz mais aguardada nos comícios do PS. Ele tinha o dom de
empolgar os militantes e simpatizantes, sempre que intervinha. Eram palavras
diretas, sem qualquer rebuço que não fosse o de ser bem interpretado por todos
quantos o escutavam. Eram ideias claras, diretas, palavras de raiz popular,
quantas vezes duras, quando tinha de ser, e integradas em discursos ditos em
tom forte.
Guardo, desse tempo, uma noite aziaga de março. Uma noite em
que o homem, o ministro, numa decisão solitária, ousou não se esconder, não
alijar responsabilidades, e de uma forma frontal, dizer aqui estou, julguem-me,
pois “a culpa não pode morrer solteira” e demitiu-se. Em causa estava a queda
da ponte de Entre-Os-Rios e a morte de dezenas de pessoas, em que ele, de
facto, nenhuma culpa tinha.
Desde então, foram muitas as vezes que nos voltámos a
cruzar. Quase sempre em Mangualde, onde decidiu investir e onde não havia
comício, ou festa do PS em que ele não subisse ao palco para deixar à plateia
as palavras simples que ninguém como ele sabia tão bem conjugar.
A última vez que com ele estive, pessoalmente, foi no
comício das europeias de 2019, em Mangualde.
Neste dia de tristeza e profundo pesar deixo a minha
fraterna solidariedade à família, ao PS e a Mangualde, território natal que ele
nunca olvidava, fosse em que circunstância fosse.