Opinião DÃO E DEMO
Serviu até há escassos meses atrás a República Portuguesa como ministra. E, nessa condição, tutelou, decidiu e fez opções em nome do Governo, logo do Estado, com inúmeras empresas públicas e privadas, nacionais e estrangeiras. E decidir em nome do Estado quer dizer servir os seus superiores interesses.
Serviu até há escassos meses atrás a República Portuguesa como ministra. E, nessa condição, tutelou, decidiu e fez opções em nome do Governo, logo do Estado, com inúmeras empresas públicas e privadas, nacionais e estrangeiras. E decidir em nome do Estado quer dizer servir os seus superiores interesses.
Trata-se de Maria Luís Albuquerque, a ministra das finanças
da coligação PSD/CDS até novembro passado e aquela que tornou Paulo Portas
revogável, ele que não a queria como ministra.
Falamos daquela que até há três meses e meio atrás foi a
primeira responsável, em nome do Estado, pelas negociações do BANIF com as
empresas que com ele negociavam, como foi o caso da Arrow Global, que lhe adquiriu capital de risco, empresa que agora contrata
Maria Luís em part-time para sua administradora
não executiva.
Aquela que criticava no Parlamento a promiscuidade entre
política e negócios.
Pois bem, Maria Luís, na primeira oportunidade esqueceu tudo
quanto disse e vai daí contratualizou com uma empresa que negociou com o BANIF,
logo com o Estado, este part-time que
acumula com a sua condição de deputada e, ainda por cima, numa área que ela tutelou.
Sejamos claros. Se até novembro defendeu os superiores
interesses do Estado, e não queremos aqui duvidar (isso seria outra conversa), ela
agora é paga para defender os superiores interesses da Arrow. E nada de mal nisso haveria não fora o pequeno – muito grande
– pormenor de ela enquanto ministra ter tido um acesso privilegiado a todos os
negócios da República, conhecimentos que agora, obviamente, ela não se
dispensará de utilizar a favor de quem a veio contratar, máxime, agora, em
desfavor do seu próprio país.
E não precisamos de estar ungidos por dons divinatórios
especiais para perceber que a sua contratação assenta, obviamente, no facto de
ela ter sido, precisamente, aquilo que foi durante estes últimos anos. Este seu
contrato não advém de nenhuma finta especial que ela saiba fazer, para utilizar
linguagem futebolística, de nenhuma capacidade excecional para marcar livres de
fora da área, a sua contratação resulta, isso sim, de meses e anos a lidar com
a dívida pública portuguesa, de meses e anos a lidar com as empresas de rating, de meses e anos a lidar e a
decidir dos negócios financeiros de Portugal.
Face a isto, não queremos saber para nada da legalidade e
das questões do direito. Deixem-nos em paz com esse discurso ‘juridiquês’ e com
esse discurso ‘étiquês’, porque a partir de agora o rating de Maria Luís, por mais voltas que lhe deem, virou lixo, em
definitivo, mas, convenhamos, com um part-time
de luxo.
Acácio PintoOpinião DÃO E DEMO