A política só o é, na sua dimensão mais nobre e genuína, se
contribuir para reduzir, de facto, as desigualdades entre as pessoas e se tiver
um olhar bem focado naqueles que estão confrontados com a pobreza.
E se há períodos em que estes princípios mais deveriam pesar
nas opções políticas seriam os períodos de crise.
Em Portugal, ao invés, temos vindo e estamos a assistir a
uma situação diametralmente oposta a esta. Em 2014 os índices de pobreza e de
pobreza severa, bem como as desigualdades têm-se vindo a agravar.
E isto não é uma mistificação, por mais que Passos Coelho e
Paulo Portas falem de um país que não existe, pois os portugueses e todos os
pareceres, das mais insuspeitas instituições, são inequívocos,
sistematicamente, na tradução do agravamento das desigualdades, do desemprego e
do alargamento do fosso entre os mais pobres e os mais ricos.
Segundo os dados mais recentes do INE, no desemprego regista-se
uma subida para uma taxa de 13,9%, registando Portugal a maior subida da UE relativamente
ao mês anterior. Mas se nos focarmos no desemprego jovem as coisas só pioram.
Subiu intensamente, para os 34,5%, também sendo a maior subida da UE, a nível
do desemprego juvenil.
Na pobreza, no seu relatório publicado no último trimestre
de 2014, a OCDE também não deixa dúvidas ao afirmar de forma clara que “a pobreza e o número de famílias pobres
estão a aumentar, com as crianças e os jovens a serem particularmente
afetados". É evidente que isto também tem vindo a ser dito por várias
instituições e entidades portuguesas, desde as autarquias, à Cáritas e às
demais IPSS.
No outro extremo está a aumentar o número de portugueses
“milionários” (com mais de um milhão de dólares) e está a aumentar a riqueza
consolidada dos portugueses mais ricos.
Ou seja, está a acontecer aquilo que, na nossa perspetiva, a
política devia combater.
E se assim é, impõe-se que este rumo dos acontecimentos seja
invertido. Que esta interpelante situação seja combatida.
É por isso que o PS e António Costa têm sobre os seus ombros
uma grande responsabilidade. A de inverter estes dados e a de serem depositários
da esperança dos portugueses. Esperança em novas políticas, esperança num novo
conceito de desenvolvimento económico, esperança num futuro melhor para
Portugal.
E não há responsabilidade mais pesada, se é que podemos
quantificá-la, do que a de corresponder às expectativas, à esperança dos nossos
concidadãos. Tenho a certeza de que António Costa, com o seu conhecimento, a
sua competência, a sua experiência e a sua serenidade, saberá apresentar as
medidas concretas capazes de fazer reverter, a partir deste ano de 2015,
gradualmente, a situação social e económica para que fomos arrastados por este
Governo do PSD e do CDS.
Acácio Pinto
Diário de Viseu