Todos bem sabemos que governar é
fazer opções e nenhum de nós tem dúvidas de que essas opções têm consequências.
Estas são certezas a que nenhum
governo pode fugir quando se trata de fazer a avaliação do seu desempenho
político.
Não é pois de estranhar que hoje
todos os portugueses estão muito cientes de que as opções políticas e os cortes
cegos que este ministro e o governo fizeram na saúde estão a ter as piores
consequências na vida das pessoas.
Se uma urgência hospitalar sempre
foi um local de risco para as pessoas, dependendo da gravidade do seu problema,
o que é facto é que nos últimos tempos ir às urgências, em Portugal, passou a
ser um problema acrescido, um local de risco agravado, pois as pessoas são abandonadas
à sua sorte.
O registo de mortes nas urgências
tem sido constante e o que é mais grave é que muitas delas aconteceram sem que
às pessoas fossem prestados quaisquer cuidados.
É evidente que este é um daqueles
temas de difícil debate, em que está em causa a morte de concidadãos nossos,
mas não é por isso que devemos fazer dele um tema tabu.
Temos que o discutir. Temos que
fazer dele um tema central para que o possamos erradicar do quotidiano
hospitalar.
Não poderemos asseverar que os
cortes na saúde foram os inequívocos culpados de tudo, até porque nunca
conseguiremos efetuar comparações absolutas, mas de uma coisa estamos certos,
ninguém deveria morrer, muito menos numa urgência hospitalar, depois de uma
espera de sete, oito ou nove horas sem qualquer assistência.
A este propósito, Luís Osório
diz, num editorial do jornal i desta semana que “há domínios em que não devemos regatear, áreas em que um
desinvestimento, uma poupança é criminosa porque atenta contra o bem comum mais
primário.” E acrescenta “ver uma
pessoa morrer contra uma parede, desamparada, como um animal de rua, é uma
metáfora de um tempo indigno.”
Morrer com dignidade é o mínimo
que se pode exigir ao estado, cabendo, pois, ao ministro Paulo Macedo, ao
governo, garantir que essa é uma linha vermelha que não pode ser, nunca,
ultrapassada.
E os problemas criados por este
governo aos serviços de saúde foram tantos e de tanta gravidade que é hoje
legítimo que qualquer cidadão português comece a não ter dúvidas de que este é
o resultado de um vasto conjunto de más opções de políticas públicas tomadas na
área da saúde.
Acácio Pinto
Diário de Viseu