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Foto: RTP |
Naquele tempo Nuno Crato era,
para muitos, o homem predestinado para levar a cabo a verdadeira revolução na
educação, ou no “eduquês” como muitos diziam.
Ele era o homem que orava
sapientemente e com rigor sobre o sistema. Ele era o comentador de serviço para
bater nas políticas educativas de então. E ainda por cima era cientista,
matemático, ou seja, sabia do que falava!
Até falava em implodir o
ministério da educação para que não restassem dúvidas do lado em que ele se
colocava.
E tanto assim foi que teve quase um
ano em “estado de graça”. Não se ouviam, muito, os professores, as estruturas
sindicais nos primeiros meses desligaram os megafones, os pais, praticamente,
não falaram, embora fossem os menos silenciosos.
Prometeu uma avaliação “nova”
para os docentes, percebe-se agora que a verdadeira novidade foi a
transformação de uns quantos docentes em avaliadores pagos “à peça”, ou em
“novos titulares”.
Prometeu uma reforma curricular e
fez uma mera alteração de cargas horárias e a supressão de importantes
disciplinas no âmbito da cidadania e do saber fazer, bem como um grande
retrocesso nas ciências experimentais.
Encheu a boca com a qualidade e
com o rigor e o que se conheceu foi o aumento do número de alunos por turma e a
“vulgarização” dos exames aos alunos no final do 4º ano sem nenhuma mais-valia
pedagógica evidente.
Mexeu na avaliação dos alunos com
necessidades educativas e no recorrente e o que se sabe é que os pais e os
alunos ganharam os processos judiciais que moveram contra o ministério da
educação.
Produziu decretos na sequência
das suas reformas cujo resultado assumiu contornos de uma gravidade absoluta e
de um desrespeito total para com milhares de professores atirados para horários
zero.
Apoucou as novas oportunidades
acabando com um programa que certificou centenas de milhar de portugueses e o
resultado foi atirar para o desemprego milhares de formadores e lançar para o
vazio dezenas de milhar de seus concidadãos.
Prometeu muito mais autonomia para
as escolas só que, afinal, transformou os diretores em gestores de horários ao
minuto e preenchedores de plataformas informáticas!...
… ah, e até parece que agora
inventou o ensino profissional e tudo o mais que está para vir!
Enfim, um “educador” sem perdão, como
é reconhecido, praticamente, por todos, nos últimos tempos!
Acácio Pinto