É assim a
vida. Feita de resultados. E quando estes não correspondem aos objetivos
traçados têm de ter consequências. Temos der refletir sobre os mesmos e afinar
as estratégias.
Enquadram-se,
neste caso, os resultados do PS nas eleições legislativas de 4 de outubro.
Temos que
ser muito claros na análise, para sermos igualmente muito objetivos na
definição de uma linha para o futuro.
O PS nem
ganhou à coligação, nem foi o partido com mais mandatos, quando isolamos os
resultados partidários.
Mas, acresce,
porém, a este mau resultado socialista um cenário em que a coligação, ganhando,
não obteve maioria absoluta de mandatos o que, obrigando-a a formar governo,
lhe exige um elevado sentido de compromisso. Ora isto coloca o PS e António
Costa, sempre, no cerne das decisões futuras que serão muitas e exigentes, sob
o ponto de vista político e institucional.
Ou seja, os
portugueses deixaram bem claro, nestas eleições, o que querem e o que não
querem para Portugal. Querem que seja a coligação a governar, mas não querem o
mesmo programa de governo.
E esta é uma
conjuntura completamente nova, em que a direita ganhando, está em minoria num
parlamento maioritário de esquerda. E esta realidade exige dos partidos
posicionamentos políticos bem definidos.
É, pois, precisamente
aqui que se coloca ao PS a óbvia necessidade de escutar os socialistas, o que
só através de um congresso é possível.
Em primeiro
lugar, não podem restar nenhumas dúvidas nem pairar quaisquer fantasmas sobre a
liderança do PS. Quem a quiser disputar deve fazê-lo. Em segundo lugar não pode
haver nenhuma tergiversação sobre o posicionamento do PS na Assembleia da
República no quotidiano parlamentar que vai ser prenhe de ocasiões crispadas.
O programa
de governo, os orçamentos de estado, os programas de estabilidade e
crescimento, as moções de censura ou de confiança, as votações de projetos
fraturantes à esquerda ou à direita, de tudo um pouco, seja adrede ou não,
colocará com inusitada frequência uma enorme barra, nomeadamente, sobre o Partido
Socialista.
Há uma
necessidade absoluta de ter linhas de rumo bem marcadas e “cartas de marear” com
o norte bem definido. E o PS só pode fazer isso num congresso que deverá ocorrer
o mais rapidamente possível, sendo que as eleições presidenciais, em nada
ajudarão este desiderato.
Acácio Pinto
Acácio Pinto