Só Nuno Crato é que não quer ver. Ele, de facto, não
conseguiu cumprir a promessa de implosão do Ministério da Educação, mas o
Tribunal Constitucional acabou de lhe implodir a prova de avaliação de conhecimentos
e capacidades que teimosamente quis implementar ao arrepio de tudo e de todos.
E depois disto, em vez de fazer a autocrítica e aproveitar
para acabar com esta entropia que ele introduziu no sistema, não, atira-se para
a frente e diz que vai solucionar as inconstitucionalidades para que a prova
possa prosseguir.
Nem o facto do atual Governo estar em fim de linha, nem o
facto de a coligação não ter maioria, nada o demove, ou parece demover desta
sua obsessiva saga.
Ter querido obrigar professores - que estão a trabalhar no
sistema há anos e anos, que têm uma formação científica e pedagógica - a
efetuarem esta prova é um completo desrespeito para com esses docentes, mas é,
essencialmente, uma desconfiança sem paralelo da avaliação das escolas básicas
e secundárias e da qualidade da formação inicial de professores por parte das
instituições de ensino superior.
Bem sabemos que a prova vem de 2007, mas também todos bem sabemos
que até 2011 os docentes com avaliação qualitativa não inferior a bom estavam
dispensados, e bem, de a efetuarem. Se a escola avaliava positivamente os
professores, qual o motivo pelo qual eles ainda deveriam ser sujeitos a uma
prova para verificar se poderiam ser aquilo que já eram, alguns, há vários anos!?
Mas a questão mais grave com que agora estamos confrontados
é a dos prejuízos que daqui resultam para milhares de professores, muitos deles
que poderiam estar a dar aulas e não estão. Para milhares de professores que
foram obrigados a pagar 20 euros para se submeterem a uma prova
inconstitucional.
E não se diga que Crato não sabia, que não foi avisado. Foi.
Foi na Assembleia da República por todos os partidos da oposição, foi por
petições com milhares de assinaturas e foi, até, pelo Provedor de Justiça.
Aqui chegados o que se esperaria era que Crato aproveitasse
para fazer precludir a prova, mas não, ao invés diz que está a estudar soluções
para sanar as inconstitucionalidades. É por estas e por tantas outras decisões
e opções de teimosia e não de razão e de bom senso que Crato ficará na história
como o ministro que provocou as maiores iniquidades no nosso sistema educativo,
quer na gestão pedagógica, quer na gestão docente, quer na gestão da rede
escolar, enfim, na desqualificação da escola pública, isto para já não falar no
ensino superior e na ciência.
Acácio Pinto