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(foto: https://www.facebook.com/filipenetobrandao?fref=ts) |
A defesa do interior, no nosso caso do desenvolvimento do
distrito de Viseu, é a causa que deve mobilizar de uma forma mais intensa todos
os agentes políticos contra os interesses do centralismo instalados há décadas
na nossa praxis política.
Esta causa, que nos deve unir e que temos vindo a afirmar,
em todos os fóruns, em nome de um território mais equilibrado, deve estar
presente quotidianamente em todas as nossas ações e práticas políticas.
É que na estrutura de pensamento do terreiro do paço o país
termina a norte na CREL e a sul no cais das colunas.
E, portanto, a reforma do mapa judiciário, de encerramento
de tribunais, para só falar na reforma mais recente e extremamente penalizadora
do interior, vem revelar que as pessoas que assim decidem não conhecem nada do
nosso território.
É por isso que é importante aqui deixar uma nota concreta sobre
a nossa realidade distrital: a da falta de transportes públicos, o que, por si
só, deveria ter impedido esta reforma judiciária.
É que nós não temos ‘metropolitano’ da Pesqueira a Viseu,
nem ‘carris’ de Mortágua a Cinfães. Igualmente não temos ‘transtejo’ entre
Oliveira de Frades e Penalva do Castelo e o ‘elétrico’ de Carregal do Sal a
Viseu e de Lamego a Penedono ainda nem projeto tem. Também não temos ligação
ferroviária entre Armamar e Penedono e a rede expresso ainda não implementou
nenhuma ligação entre Resende e Tabuaço, ou entre Sátão e Castro Daire.
Quer isto dizer que uma ministra da justiça, já não digo
competente, digo minimamente decente, assim como a maioria, deveria saber disto
e não impor aos seus concidadãos, com esta reforma, deslocações impossíveis, a
não ser de táxi, ou em meio de transporte próprio, até à sede da comarca, até
Viseu.
Mas, como este não é um problema para os ricos, mas um
problema para os pobres, estamos a negar, de facto, o acesso à justiça a
milhares e milhares de cidadãos carenciados e com isto a agravar as
desigualdades entre os portugueses.
Isto é cegueira política!
E se a política não servir para diminuir este fosso e para
reduzir estas desigualdades ela, verdadeiramente, não serve para nada.
Se a política não servir para combater as assimetrias
regionais e promover a coesão social e territorial ela, verdadeiramente, não
serve para nada.
E se há exemplos lapidares para demonstrarem o desrespeito
para com a coesão territorial e social e que corresponde a um ataque ao
interior e ao distrito de Viseu, esta reforma do mapa judiciário é uma delas.
E nem é preciso argumentar com o colapso de todo o sistema
informático, com o ‘citius’, apesar de uma gravidade absoluta. Não seria ele, o
‘citius’, a impedir um cidadão de Tabuaço a dirigir-se ao magistrado judicial
ou do ministério público do seu tribunal, se não tivesse sido extinto, o que o impede
agora é a incapacidade de ele se deslocar ao tribunal mais próximo.
Justiça cega? Ainda bem! Ministra cega? Ainda mal!
Acácio Pinto
Diário de Viseu | Rua Direita