Os actuais governadores, os ex-governadores, os membros do Governo do Ministério da Administração Interna e o Presidente da Câmara da Guarda encontraram-se na Varanda Azul, no Estádio do Restelo, no dia 17 de Maio, para homenagearem aquela que foi Governadora Civil da Guarda, entre 2005 e 2009, Maria do Carmo Borges. Estive presente com muito prazer e agradeço à Maria do Carmo a inspiração que foi para mim o seu desempenho: determinação nas convicções, doçura nas relações humanas que com todos cultivou.
As palavras, essas, estão todas ditas. Todas. Mas continua a faltar-nos, a faltar-me, a compreensão. Uma explicação que seja. Só uma, para tão cruel desenlace. Da antiguidade até ao agora, o que é que ainda não foi dito? O que é que falta dizer? Nada e tudo. E aqui continuamos, longe, muito distantes, de encontrar a chave que nos abra a porta deste paradoxo. Bem sei que, quiçá, essa procura é uma impossibilidade. Que não existe qualquer via de acesso aos insondáveis desígnios. Da vida e da morte. Dos tempos de viver e de morrer. Não existe. E quando esses intentos acontecem em idades prematuras? Em idades temporãs? Tenras? Quando os olhos brilham? Quando os sonhos semeados estão a germinar? Aí, tudo colapsa. É a revolta. É o caos. Sermos David e Rafael, nestes tempos cruéis, não nos acalma. Sermos comunidade, não nos sossega. Partilharmos a dor da família, não nos apazigua. Sermos solidários, não nos aquieta. Bem sei que não. Mas, sejamos tudo isso, pois ainda é o q...