quinta-feira, 27 de maio de 2010

O paradoxo

O PSD é assim como um paradoxo. Como naquele sketch dos Gatos Fedorento sobre a posição de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a despenalização do aborto: Concorda? Sim. Não. Talvez. Porque sim. Obviamente não. Evidentemente que sim. Claro que não.
Eu, já em artigo anterior, me tinha referido aos ziguezagues dos sociais democratas, mas a situação é muito mais grave do que transparecia.
Afinal, Pedro Passos Coelho começou a entrar em derrapagem ao fim de pouco tempo. Quis dar uma imagem de grande líder, que se coloca para além das pequenas questões partidárias, que coloca as instituições em primeiro lugar, que é profundamente patriótico e salvador do país. Vai daí encontra-se com o Primeiro Ministro a quem sugere e exige cortes vários, nos investimentos públicos, nas despesas do Estado e nos salários, propondo ainda o aumento de impostos, a troco de dar a mão ao país, como ele afirmou; para além disso falou aos portugueses e pediu-lhes desculpa, afinal, por fazer aquilo que devia ser feito.
Mas, escassos dias após tudo isso se ter passado, é ver agora o PSD célere e em correria desenfreada, em todos os recantos do país, a exigir obras, a pedir mais investimento e a clamar pelo aumento das despesas do Estado nas mais diversas áreas. É o chamado paradoxo ou mais uma versão do “muito bem prega Frei Tomás”.
Fiquei estupefacto com tamanha falta de coerência. Mas, bem vistas as coisas, é mais uma daquelas derivas a que o PSD já nos vem habituando.
Senão vejamos.
Nas obras públicas são contra todas, mas depois vêm exigir todas e mais algumas para todos os municípios e territórios.
Nas energias renováveis, dizem que concordam, mas depois vêm colocar em causa todos os programas e todos os planos que visam aumentar a nossa segurança energética através da diversificação das fontes de energia.
Na saúde, dizem que temos que racionalizar mas quando a Ministra apresenta um plano para a redução de custos o PSD acha que todas as medidas são cegas e erradas sem apresentar qualquer tipo de alternativas a não ser a de acabar com o SNS.
Na segurança social, não encontrando melhor solução no âmbito das políticas públicas, dizem-nos que o melhor era mesmo a sua privatização!
Na banca já todos bem sabemos o que faria. Matava a CGD através da sua privatização. Aquilo que nem ao mais liberal dos liberais passaria pela cabeça, passa pelo pensamento e pela vontade de Pedro Passos Coelho.
Ou seja, o PSD quando se trata de teorizar e apregoar medidas em abstracto e nas nuvens, quer fazer todos os cortes possíveis e imaginários, mas quando se trata de questões concretas e objectivas para os territórios e para as pessoas, quer a execução de todas as obras e mais algumas e o benefício para todas as classes profissionais.
Não, esta não é uma forma leal e patriótica de fazer política. Esta é uma forma populista e politicamente irresponsável, que descredibiliza a política e os políticos.
Com este PSD não creio que haja “tango” que resista! Aguardemos para ver!

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