A Panasqueira é uma terra de volfrâmio e de mineiros. E tudo começou nos finais do século XIX com a descoberta de
umas pedras negras que não ardiam. Foi um carvoeiro que, quando fazia carvão a
partir das cepas de urze, constatou que aquelas pedras, tão parecidas com o
carvão que ele produzia, tinham mais brilho e não ardiam.
Daí até aos nossas dias foi um trabalho praticamente
ininterrupto ao longo de mais de cem anos. Tratava-se de volframite, o mineral
que dá origem ao volfrâmio e as sociedades mineiras que o exploraram foram as
mais diversas. Desde sociedades de capital exclusivamente português, no início,
até capitais canadianos, foi um corropio de companhias a esventrar aquela
serra, sendo a atual a Beralt Almonty – Tin & Wolfram.
Com a concessão a estender-se pelos concelhos da Covilhã e
do Fundão, por uma área de cerca de seis quilómetros quadrados, o Couto Mineiro
da Panasqueira está hoje concentrado em termos de atividade (edifícios
administrativos, de separação, lavarias, e tratamento) na freguesia da Aldeia
de São Francisco de Assis (anteriormente designada de Bodelhão), mais
concretamente na Barroca Grande, tendo anteriormente tido uma intensa atividade
na freguesia de São Jorge da Beira, ambas no concelho da Covilhã.
E se hoje ali trabalham cerca de três centenas de pessoas,
tempos houve, nos anos quarenta do século passado, em que ali trabalharam cerca
de dez mil pessoas. Produzindo cerca de 110 toneladas de minérios por mês (70
toneladas de volfrâmio, 30 de estanho e 10 de cobre) estas minas são uma âncora
económica para as pessoas da freguesia, pese embora os impactes ambientais
sempre inerentes a este tipo de atividade económica.
É daquela serra e daquelas minas que sai “o melhor volfrâmio
do mundo”, no dizer de várias pessoas com quem conversámos, sendo uma delas
ex-presidente da Junta de Freguesia e mineiro há 53 anos e, atualmente,
responsável do Museu Mineiro – Terra do Volfrâmio, José Luís Antunes Campos,
museu que ele fundou e que foi inaugurado em 2012.
Finalmente, há um dado que importa deixar, para se constatar
da grandiosidade daquelas minas. Calcula-se que tenham sido escavados cerca de
6.000 quilómetros de galerias distribuídas por vários níveis de profundidade,
estando a mais profunda a 500 metros, relativamente ao cume da serra.
Notas de agradecimento: i) ao João José Neves, um natural destas terras e que aqui regressou após muitos anos fora, alguns deles em Vila Nova de Paiva onde o conheci como professor e como autarca a tempo inteiro daquela Câmara Municipal e que foi um excelente anfitrião; ii) ao José Luís Antunes Campos pela disponibilidade com que nos recebeu e mostrou com conhecimento e emoção o museu mineiro; iii) aos responsáveis da Associação Cultural e Recreativa de São Francisco de Assis pela genuína e afetuosa forma como nos receberam.