Foi inaugurada, neste sábado, dia 3 de setembro, a rotunda
DS-Boca de Sapo junto á entrada da fábrica da PSA em Mangualde. Esta rotunda
acolhe uma obra de arte, um veículo DS-Boca de Sapo em granito, uma escultura
em tamanho real, numa iniciativa promovida pela PSA de Mangualde.
A este propósito Dão e Demo entrevistou o grande
impulsionador desta obra, Elísio Oliveira, licenciado em economia e diretor
económico-financeiro e relações institucionais da PSA de Mangualde, uma empresa
de grande relevo regional e nacional e marcante no concelho de Mangualde.
Recorde-se que o Centro de Produção de Mangualde do Grupo
PSA assinalou no dia 22 de setembro de 2012 cinquenta anos de história e
1.000.000 de veículos produzidos nesta fábrica.
Dão e Demo: Sem rotunda não haveria aqui esta obra de arte?
Elísio Oliveira: Sem dúvida. O primeiro passo, que foi uma
luta de vários anos, foi instalar uma rotunda no acesso à fábrica da
PSA, em vez dos semáforos visando reduzir a sinistralidade, melhorar a
fluidez e a flexibilidade logística e dar ao acesso à fábrica a dignidade que
esta merece.
Importa referir que a realização desta rotunda teve por base
um protocolo entre as Infraestruturas de Portugal (IP), a Câmara Municipal de
Mangualde (CMM) e a PSA.
“O DS é considerado um dos veículos mais bonitos de toda
a história do automóvel.”
DD: Que significado se pode atribuir à escolha do DS-Boca de
Sapo?
EO: O DS é considerado um dos veículos mais bonitos de toda
a história do automóvel. Um veículo muito inovador na sua época e que foi
produzido em Mangualde durante 10 anos, tendo sido produzidos 2722 unidades.
Temos assim o veículo de excelência ideal para homenagear a história desta
fábrica e a excelência dos trabalhadores que ao longo de mais de 5 décadas têm
mantido viva esta empresa.
DD: Quem realizou esta obra de arte e quanto tempo demorou?
EO: A obra foi realizada pela empresa Granitos Pimentel
& Tavares de Mangualde, que levou vantagem sobre outros concorrentes. Durou
8 meses, arrancou em Dezembro de 2015 e terminou em Julho de 2016. O veículo DS
tinha que ser feito em granito preto, homogéneo e denso para exprimir todo o
potencial deste veículo, a sua nobreza. Ora este granito, rijo como o ferro,
dificultou e tornou lento o trabalho. Mas não podíamos abdicar deste material,
porque sabíamos que só com ele o efeito seria conseguido.
“Esta escultura
foi financiada por apoios 100% privados.”
DD: Quem financiou esta obra de arte?
EO: A produção desta escultura foi, gratamente, financiada
pelas seguintes entidades: PSA Mangualde, PSA Lisboa, GEFCO, Antolin e
Granitos Pimentel &Tavares.; Foi importante conseguir estes apoios, 100%
privados, sem os quais não era possível realizar a obra.
DD: Que intervenção teve a CMM?
EO: A CMM teve desde logo, como já referi, uma participação
no protocolo de cofinanciamento da rotunda conjuntamente com as IP e a PSA e
teve e terá ainda um papel adicional no arranjo final da rotunda.
DD: Que reações têm registado sobre esta obra?
EO: Tem tido um sucesso extraordinário, quer dentro do nosso
centro de produção, quer nos mangualdenses em geral e também nas reações
diárias das largas centenas de automobilistas nacionais e estrangeiros que
diariamente passam pela rotunda e não resistem em fotografar e filmar o veículo
DS-Boca de Sapo. Temos, também, registado reações de espanto e admiração dos
nossos colegas de Espanha e França.
“Este carro é feito de pedra, mas é também feito de
simbolismo. Incarna o carácter dos homens e das mulheres…”
DD: Que significado pode ser atribuído à colocação do
veículo ali naquela rotunda?
EO: O DS não está ali apenas para decorar a rotunda, nem
podia estar num lugar qualquer. Naquele lugar está implantado o maior
investimento de toda a história de Mangualde. Só nos próximos dois anos serão
investidos cerca de 50 milhões de euros. Ali está o local mais exportador da
região e um dos 10 maiores de Portugal, ali está o sítio mais empregador. Ali
se desenvolve a maior e mais complexa organização do concelho e a mais exposta
à concorrência internacional. Só esta dimensão podia dar palco a uma estátua
desta natureza.
Este carro é feito de pedra, mas é também feito de
simbolismo. Incarna o carácter dos homens e das mulheres de têmpera rija que ao
longo de mais de meio século, nesta nesga de terra, fazem denodadamente os
carros com uma qualidade e competitividade do melhor nível mundial!
Aquele carro, belo, clássico, mítico e intemporal,
transporta dentro daquela pedra negra, rija, férrea, a alma grande daqueles que
somaram futuro a esta fábrica ao longo dos anos!
“Nesta obra a boa tradição industrial de Mangualde está
ali toda.”
DD: Em que medida beneficia Mangualde?
EO: Aquele carro é um selo de garantia das potencialidades
industriais do nosso concelho. Nesta obra a boa tradição industrial de
Mangualde está ali toda. A qualidade de trabalho dos mangualdenses, a sua
capacidade de adaptação a produções sofisticadas e a força exportadora desta
economia. É claramente mais um elemento de notoriedade para o nosso território.
O potencial de marketing territorial está lá e está já a funcionar, basta ver
as redes sociais. É, enfim, um elemento que ajuda a qualificar e a diferenciar
um território.
DD: Muito obrigado.