Reputo a ideia e a decisão de homenagear o professor doutor Vítor Aguiar e Silva de um profundo alcance simbólico-alegórico mas, sobretudo, de uma inquestionável relevância e projeção nas áreas da educação, da cultura e da cidadania. Merecem, pois, e desde já, uma especial palavra de apreço todos aqueles que idealizaram esta iniciativa, com particular destaque para o dr. Fernando Paulo Baptista, ilustre académico, homem da cultura e do pensamento. Nele germinou e nele se corporizou, ao agregar a si um vasto conjunto de vontades pessoais e institucionais que decidiram entregar-se e dar-se a esta concretização.
Foi neste contexto que o Governo Civil do Distrito de Viseu,
desde a primeira hora, se decidiu associar a esta homenagem pública, sendo para
mim uma grande honra e um orgulho indizível poder ficar ligado a ela tão
estreitamente. Em primeiro lugar porque o homenageado é uma figura nada e
criada no concelho de Penalva do Castelo, do distrito de Viseu; em segundo
lugar porque se trata efetivamente de um académico brilhante, de dimensão
verdadeiramente internacional; e em terceiro lugar porque estamos perante um
interpelante cidadão e pensador do ser e do devir poético-cultural do homem,
neste mundo em que a tentacular globalização tenta pré-determinar e uniformizar
os nossos comportamentos.
É meu entendimento que o governador civil, enquanto
representante do governo, tem o dever, tem a missão, não só, de não se poder
alhear destes eventos, mas, sobretudo e essencialmente, de os acarinhar, de os
apoiar e de lhes criar as condições para que se possam perpetuar.
Mas merecem também, aqui e agora, para além da comissão
organizadora, uma saudação muito especial as câmaras municipais de Penalva do
Castelo e de Viseu pelo empenhamento nesta homenagem e, precipuamente, pela
parceria relevante e de equilibrada horizontalidade e reciprocidade que foi
estabelecida entre as duas autarquias e o governo civil. Desde o início que os
seus autarcas acarinharam esta ideia e tudo fizeram para que ela ganhasse corpo
e se concretizasse: a Câmara de Penalva do Castelo por ser o concelho onde
nasceu Vítor Aguiar e Silva; e a Câmara de Viseu pelo facto de esta ter sido a
cidade onde, ainda jovem, o nosso homenageado frequentou o, então, Liceu
Nacional de Viseu e, podemos dizer, despontou e começou a perspetivar a sua
brilhante carreira académica.
Feitas estas referências, cumpre-me ser breve. Não devo
alongar-me muito mais neste meu depoimento, sobretudo não devo falar-vos no
âmbito da teoria da literatura, a menina dos olhos do professor doutor Vítor
Aguiar e Silva. Isso ficará para outros: desde logo para os ilustres académicos
que, em tão grande número, quiseram associar-se e marcar presença nesta
homenagem pública. Mas mesmo dentro desta linha de síntese e de brevidade
discursiva, não posso, apesar de tudo, deixar de vos dizer que, com esta
homenagem no distrito de Viseu, estamos a contribuir, contribuímos seguramente, para rememorar os espaços e as pessoas, os locais e as gentes que forjaram
muito da sua personalidade e da sua vida.
Há quem diga, até, que o homem e os seus espaços formam um
conjunto único e um só sistema. E se aqui vou partilhar dessa opinião é no
pressuposto de que esses espaços não são apenas espaços físicos, não são só
espaços geográficos: são muito mais do que isso! Eles entranham-se-nos na
fundura da alma e acabam por se transformar nos nossos espaços psicológicos,
filosóficos, estéticos, criativos… Raramente deixam de ser o incontornável espaço
simbólico de todas as viagens, de todos os regressos…
E é por isso que acredito que esta homenagem constituiu, foi para o professor doutor Vítor Aguiar e Silva, uma visita a um espaço, ao espaço que lhe deu uma matriz fundacional, o seu eixo identitário.
Viu, reviu o professor Vítor Aguiar e Silva, na sua terra,
na sua Penalva e na “sua” Viseu modernas, reabrir-se o seu território, a sua
espacialidade de outrora, e saboreou o reencontro consigo próprio, através de
rostos de ontem, pessoas de hoje, e decobriu, sob palavras antigas, cenas
adormecidas de reverências e de irreverências passadas…
Espero, esperamos todos, que o professor continue a dar, a
dar-nos, o seu pensamento, a sua inquietação, a sua obra. Estamos, estaremos
sempre todos ávidos das suas palavras feitas texto, dos seus pensamentos feitos
discurso.
Termino este breve apontamento dizendo que, a minha presença, a nossa presença nesta homenagem, à semelhança da poesia, não se explica na totalidade, porquanto todos aqui estamos implicados. Tenha a certeza (e tem-na decerto!...) que, aqui, estamos todos implicados
consigo! Com o académico, com o homem de cultura, com o cidadão.
Muitas felicidades ao professor Vítor Aguiar e Silva, ao
cidadão Vítor Aguiar e Silva.
(*) Acácio Pinto - Nota de abertura do livro “Vítor Aguiar e Silva: a poética cintilação da palavra, da sabedoria e do exemplo”, editado em 2007 pelo Governo Civil do Distrito de Viseu