quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

(Opinião) Aspectos positivos nas tecnologias e na educação

Se são bem notórias as dificuldades que Portugal está a atravessar, também não menos verdade que esses problemas e esses constrangimentos estão a atravessar todos os países da União Europeia e, praticamente, todos os países do mundo.
Este não é mais que o desfecho de muitos anos de deriva liberal e cega no domínio das engenharias financeiras em que o mais importante não era corresponder às necessidades da sociedade e da economia real, mas aos grandes desígnios de umas entidades bancárias, dos mercados afinal, que iam acumulando prejuízos sobre prejuízos que mascaravam com os hoje designados produtos tóxicos.
Foi o tempo do salve-se quem puder que deu no que e que todos hoje bem conhecemos.
Mas, pese embora este problema, grave, que muito nos afecta enquanto país, nós temos vindo a prosseguir o nosso caminho sem tergiversações e as apostas que Portugal está a fazer começam a dar os seus frutos e a colocar Portugal numa linha avançada e de primeiro plano em várias áreas.
Embora Portugal continue a ser o país onde se produz bem vinho, boa cortiça e bom azeite, há hoje aspectos distintos de Portugal no mundo que já não passam por estes produtos. Basílio Horta, aliás, deixou isso bem claro quando afirmou, recentemente que Portugal, pelo facto de estar a fazer uma forte aposta nos carros eléctricos passará a ser visto, já é visto no Japão, não como o país dos produtos tradicionais, mas como o país das novas tecnologias, necessárias a montante e a jusante deste novo produto tecnológico.
Mas há outras áreas onde isso acontece, como por exemplo, nas energias renováveis na desmaterialização dos procedimentos administrativos e na administração digital.
E estas são áreas decisivas para uma agenda de desenvolvimento e competitividade para o futuro.
RELATÓRIO DA OCDE SOBRE EDUCAÇÃO
E como se isto não chegasse veja-se o recente relatório da OCDE sobre os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) e o que o Director da OCDE para essa área (Andreas Schleider) sintetizou assim: “Portugal ocupava o fundo da tabela nos relatórios anteriores e desta vez aproximou-se da média dos países da OCDE, ultrapassando por exemplo a Espanha”.
Andreas Schleicher sublinhou que Portugal obteve uma classificação de 489 pontos, próxima da média da OCDE, que é de 493 no relatório de 2009, agora apresentado.
O PISA avalia os conhecimentos e aptidões dos alunos em matemática, leitura e ciências. “O melhor resultado de Portugal no relatório de 2009, em relação ao de 2006, foi obtido na matemática”, explicou Andreas Schleicher, que refere que a melhoria de resultados “pode ser explicada em primeiro lugar pelas políticas seguidas nos últimos anos e por uma conjugação de factores como a avaliação de professores e um controlo sério da qualidade do ensino. Não se pode melhorar o que não se conhece”, explica o responsável da OCDE.
O relatório PISA revela também que “diminuiu o peso das repetições, cujo nível continua alto em Portugal”.
Portugal faz parte do grupo de países que no relatório PISA 2009 registaram melhorias significativas da sua nota geral, que inclui o Chile, Israel e Polónia.

3 comentários:

  1. Caro deputado,
    se “O melhor resultado de Portugal no relatório de 2009, em relação ao de 2006, foi obtido na matemática”, por que razão as pontuações que apresenta são as do teste de leitura? Houve três testes e apenas no de leitura a média de Portugal é próxima da média da OCDE.

    É verdade que não é fácil melhorar o que não se conhece. É verdade que é preciso medir resultados. Mas só poderemos melhorar se conseguirmos, de forma rigorosa, identificar os factores que podem influenciar as diferenças de resultados, quer entre diferentes anos, quer entre diferentes países. Como se pode invocar factores como a avaliação de professores, se esta era praticamente inexistente quando os testes foram realizados? Até que ponto uma medida implementada de fresco pode influenciar os resultados nos testes de leitura de um aluno que anda na escola há quase 10 anos?

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  2. Se realmente está interessado em saber mais sobre a relação entre políticas de educação e resultados PISA, leia o relatório que cito aqui.

    Cumprimentos.

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  3. As (IN)Verdades no relatório PISA
    Os dados do PISA, quando colocavam Portugal em maus lençóis, eram vistos com descrédito. Agora que os colocam num berço de ouro, todos puxam os méritos como quem puxa o carvão para assar a sua sardinha. Estamos hoje perante um caso semelhante ao daqueles pais que se o filho se dedica, estuda e obtém bons resultados se apressam imediatamente a dizer "Ah! O meu filho é muito inteligente!" mas que, se o filho preguiça, não estuda e os resultados ficam aquém do esperado, não hesitam em protestar dizendo "o professor é um burro!". Também temos aqui os que tão rapidamente dizem que Sócrates é Besta como é Bestial... Até aqui, os professores é que eram os culpados pelos resultados dos alunos. Porque os resultados educativos custam a aparecer. Afinal, contrariamente ao que a Maria de Lurdes defendia, concluímos que só são da responsabilidade dos professores quando os resultados são negativos... Se são positivos, o mérito vai para a absurda a ministra, mesmo que tenha contribuído para o pior estado da Educação... Os resultados em nada constatam que estejamos melhor que antes. Apenas nos dizem em que posição estamos comparativamente com os outros... Da mesma forma uma empresa que se aguenta acumulando dívidas não significa que esteja bem só porque a sua vizinha do lado já abriu falência! Se Maria de Lurdes não tivesse desmotivado os professores hoje teríamos uma recuperação muito superior e não apenas de meia dúzia de pontos do ranking. Com outra motivação de alunos e professores, bem poderíamos ter subido 15 ou até 20 pontos no ranking. Assim, ficamos contentes porque outros perderam posições no ranking! É como nos campeonatos de futebol. O que importa não é um clube estar melhor que no ano anterior. Basta que os adversários estejam piorou perca pontos. E a crise atacou a Espanha mais que Portugal... Claro, Espanha que recebeu imensos imigrantes e os testes do PISA incluem todos os jovens de 15 anos! Alguém contradiz isto? Salários dos Professores na OCDE - Verdade ou Mentira ?

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