quinta-feira, 6 de setembro de 2012

[opinião] Este austeritarismo que nos mata!


Vai-se ouvindo com alguma frequência o neologismo “austeritarismo” para qualificar esta política da austeridade “custe o que custar”. Esta política cozinhada nos laboratórios da finança mais gananciosa para alimentar os “abdómens obesos” dos seus proprietários.
Infelizmente, é uma expressão feliz para designar esta austeridade “musculada” ou autoritária que nos estão a impor.
E se a elaboração destas teses e destas políticas passou por densos cálculos matemáticos e por verdadeiros “experts” de engenharia financeira, a sua operacionalização foi toda ela milimetricamente projetada para nada falhar até que os cidadãos dos países-alvo da sua implementação estivessem completamente esmifrados.
É nesta fase que Portugal se encontra. Sem qualquer capacidade para os trabalhadores poderem continuar a ser mais “assaltados” por uma infernal máquina fiscal e sem mais “anéis” nos dedos para serem privatizados.
Tem sido, de facto, um fartar vilanagem. Na EDP, na CGD, nas Águas de Portugal, na REN, no BPN, nos Institutos que o deixaram de ser, enfim, é um rol infindo de gestores com as suas contas bancárias diretamente ligadas a esses potes de dinheiro fácil. Mas tudo se prepara para que a RTP, a ANA ou a TAP permitam ligações a NIB’s de outros “gestores” de direita com “elevada” reputação internacional!
Mas tudo isto atinge o paradoxo absoluto quando essa eminência de sapiência ilimitada, António Borges, que passou pelo Goldman Sachs, que ajudou a mascarar as contas da Grécia e que foi o responsável do FMI na Europa venha agora a ser o consultor do governo português para as privatizações e para avaliação das parcerias!
Não sei o que chamar a isto, se promiscuidade, se pornografia do pior nível entre a política e os interesses financeiros internacionais.
Está-se do lado que elabora e negoceia os planos e depois vai-se integrar a “equipa” que vai ter que operacionalizar esse programa.
Pelo menos há uma certeza em tudo isto: como não se podem servir dois amos, lá como cá, António Borges serve sempre os mesmos, os interesses daqueles que são os seus “proprietários”.
Estamos chegados, pois, ao tempo em que já não há mais tempo. Este governo já não consegue mais encobrir o embuste nem as suas tutorias e os seus reais objetivos. E o povo vai reagir, o povo está a reagir contra este austeritarismo e não está disponível para continuar a cumprir quando o governo está, redondamente, a falhar, parafraseando as palavras de António José Seguro no encerramento da universidade de verão do PS, em Évora.
in: Diário de Viseu

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