quarta-feira, 13 de março de 2013

A propósito da leitura de José Eduardo Faria: Breves paradoxos destes tempos hipermodernos

José Eduardo Faria na AR, no dia 6.12.2012
Precisamente num tempo em que os valores democráticos, tal qual os concebemos, ganham prestígio entre as pessoas e os povos, os estados nacionais democráticos, com a desterritorialização dos mercados e a criação de um espaço económico global que tem vindo a acontecer, perdem muito do seu poder, como plataformas privilegiadas de mediação e regulação social e política, para determinar o rumo da sua comunidade.
É que o poder político deixou de se impor aos capitais financeiros. E assim sendo, estes, os capitais financeiros, promovem deslocações de empresas para locais, países, com  mais vantagens competitivas e logo os estados de origem ficam com menor possibilidade para arrecadar receitas fiscais e promover, por essa via, a justiça social, com os seus concidadãos.
Por outro lado a transferência da coordenação económica e de muitas decisões políticas e estratégicas para organismos multilaterais, ou a submissão, aos ditames dos capitais financeiros acaba por deixar os estados com menor capacidade para lidar com as consequências sociais que afetem a sua comunidade.
O que tem isto a ver com este nosso tempo e esta nossa crise?
Tudo, como bem se vê.
Aquilo que temos que exigir é mais política e mais estado regulador. Mais Europa, direta e federal, e menos Europa, indireta e germanizada.
(a propósito da leitura de um texto de José Eduardo Faria - sociólogo, fundação Getúlio Vargas)
Foto de exposição no MUDE

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