sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Cortar sem critério na educação não é reformar é a via verde para uma educação elitista e seletiva

Intervenção no plenário durante a interpelação ao governo pedida pelo PEV sobre as funções sociais do estado.
Guião da intervenção:

«Quero começar por lhe fazer duas citações:
“O tempo de crise deve ser aproveitado para ir mais longe. Educar e aprender.”
e
“A educação é o fermento do progresso e do desenvolvimento.”
Ora, quem proferiu estas palavras não foi nenhum suspeito socialista, foi Aníbal Cavaco Silva, foi o Presidente da República.
E se trago aqui as palavras do Presidente da República é tão só para lhe dizer que não podemos desistir daquilo que faz a diferença na competitividade e no desenvolvimento dos países: a qualificação das populações, a educação e a formação dos jovens e dos adultos.
Portanto, senhor ministro, que fique aqui claro que nos oporemos ao despedimento e ao corte cego e sem critério que querem fazer nas funções sociais do estado.
Cortar 4 mil milhões não é reformar. Cortar 4 mil milhões é destroçar e condenar Portugal e os portugueses a tempos a que não queremos regressar.
E porque temos memória não vamos desistir de querer ser um país desenvolvido, um estado solidário.
A via que vossas excelências estão a seguir é a via verde para o retorno a uma educação elitista e seletiva.
É a via verde para o agravamento da pobreza.
E nós não nos resignamos a este caminho que não promove a educação para todos,
que não fomenta a qualificação para todos
e que desmantela, por preconceito ideológico, redes e plataformas de formação e qualificação que chegaram a mais de um milhão de portugueses.
Os portugueses, hoje, orgulham-se do aumento da formação e qualificação ocorrida na primeira década deste século, traduzido nos censos 2011.
Agora o que o PS não quer é deixar para as futuras gerações uma herança de regressão a tempos de má memória.
Pergunto: Educação como porta para o futuro é aplicar a Portugal o relatório do FMI? É despedir professores? É abrir concursos com 600 vagas? É desmantelar as redes de qualificação dos portugueses?
Sente-se bem com o constante abandono de jovens das escolas e universidades por dificuldades económicas?
Afinal, qual o lugar para a igualdade de oportunidades?»

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