sexta-feira, 14 de junho de 2013

[opinião] Dois anos depois: tudo piorou!

Cumpridos que estão dois anos sobre a vitória do PSD e sobre a consequente coligação governativa que se lhe seguiu importa efetuar uma, ainda que breve, reflexão sobre a atual situação de Portugal.
Pois bem, o nosso ponto de partida era difícil, nesses primeiros meses de 2011, em resultado de um negro quadro financeiro internacional que envolvia, sobremaneira, a Europa. Um quadro que teve várias medidas de ajustamento efetuadas pelo governo minoritário do PS em 2010 e em 2011, todas levadas a cabo sob forte contestação de toda a oposição, com enfoque para os partidos de direita, PSD e CDS. Diziam que o problema era meramente interno, que tudo se resolveria com uma simples mudança de governo, que a resolução do problema não passava pelo aumento de impostos nem por mais austeridade.
Em benefício do que afirmo cito Passos Coelho em 2010 e 2011: “O que o país precisa, para superar esta situação de dificuldade, não é de mais austeridade”; “Acabar com o 13º mês é um disparate”; “Nós não podemos aumentar as receitas aumentando mais os impostos”; “Não contarão connosco para mais ataques à classe média”.
E Cavaco Silva em 9 de março de 2011: “Precisamos de um combate firme às desigualdades e à pobreza que corroem a nossa unidade como povo. Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos”; “A pessoa humana tem de estar no centro da ação política. Os Portugueses não são uma estatística abstrata”.
E Paulo Portas em 24 de março de 2011: “Tenho que vos dizer isto com toda a franqueza: subir impostos é aumentar a recessão”.
Depois desta breve recordatória importa deixar alguns dos dados mais relevantes da nossa situação económica e social atual: i) desemprego é 17,8%, era 12,5%; ii) desemprego jovem é de 42,1%, era de 27%; iii) desempregados sem qualquer tipo de subsídio de desemprego aumentaram mais 77.322; iv) casais em que ambos os cônjuges estão desempregados aumentaram para o triplo, sendo hoje 13.176 no total; v) dívida pública era de 94% do PIB (dezembro de 2010) passou para 123,6% (final de 2012) e já chega neste momento a cerca de 130% do PIB.
Não restam, portanto, mais palavras que não sejam as de uma forte deriva de incompetência técnica e política, ou seja, de uma governação politicamente dolosa face a tudo quanto foi dito e contratualizado com os portugueses, pelos partidos de direita, em junho de 2011.
Acácio Pinto
Diário de Viseu | Notícias de Viseu

2 comentários:

  1. Desde os primórdios, que o Homem tenta encontrar explicações para os fenómenos e as dificuldades com que se deparam, bem como a sua própria origem.

    Esses fenómenos e dificuldades eram de tão difícil compreensão, que eram “aceites” como “castigos”, e as conclusões afunilavam sempre para algo supremo, algo superior dada a incompreensão dos fenómenos, que eram assim, assumidos como “inevitáveis” e como tal fariam “oferendas”, “s...acrifícios”, a esse “ser” superior para que os poupasse a esse desígnio.

    Apesar de nos encontrarmos a 200 mil anos do primeiro Homo Sapiens de que temos conhecimento, a forma de encarar os “fenómenos” ou “dificuldades” mantêm-se para uma grande fatia da população Humana, aceitados como “inevitáveis”, seguindo as Teorias escritas para a sua resolução, não aceitando sequer que possam ser colocadas em causa por novas Teorias, ou pensamentos, seguindo irredutíveis no caminho que os seus “ideais” apontam, alienando o dever Social para se manterem “fiéis” ao liberalismo desmedido.

    Esta constante busca de um deficit, de um caminho alavancado única e exclusivamente pela austeridade, “ofertando” o sacrifício de um Povo para que os poupem à “ira” desmesurada de um mercado ávido de ganhos extra, à espera que eles sejam piedosos com alguns, apenas alguns, esquecendo todo um Povo.
    Afinal 200 mil anos volvidos e as diferenças, apesar dos avanços incomparáveis de um ser, a forma de pensar passa ainda pela “inevitabilidade” porque é mais fácil de explicar, desistindo do exercício de um raciocínio lógico com o fim de um bem comum.

    O otimismo de um Governo, é hoje o desespero de um Povo…
    24/11/2011
    (António Cabral)

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  2. Obrigado, António Cabral, pelo seu excelente comentário! Sobretudo pela frase final. Traduz, infelizmente, a realidade!

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