quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

[opinião] PISA 2012: Porquê mudar, se estávamos no bom caminho?

in: Farol da nossa terra
Os resultados PISA 2012, que avaliam o desempenho dos alunos a matemática, leitura e ciências, divulgados recentemente pela OCDE evidenciam que estavam profundamente enganados todos quantos desvalorizaram os bons resultados atingidos por Portugal no PISA 2009.
Portanto há, desde já, uma primeira conclusão a retirar, é a de que Portugal estava desde 2003 no bom caminho e que a estabilização global dos resultados em 2012, quando a média da OCDE baixa, é um dado positivo que registamos.
Há, porém, uma outra conclusão que importa ressaltar, e esta de grande preocupação, tem a ver com as atuais políticas e decisões do ministério da educação e ciência, de desinvestimento na escola pública e de absurdas mudanças nas várias vertentes do sistema educativo (estrutura curricular, programas, turmas e professores), sem qualquer sustentação objetiva, como se vê, por estes dados.
É que Portugal, numa análise longa, é dos países que apresentou taxas anualizadas globalmente mais positivas, de que se destaca a matemática e, pelo contrário, aqueles países que tanto inspiram as políticas de Nuno Crato, os países do cheque-ensino, da liberdade de escolha, foram os que mais caíram, nesta análise longa, também a matemática, como é o caso da Suécia. Aliás, a OCDE atribui muito desta evolução portuguesa a matemática às alterações programáticas de 2007 que agora Nuno Crato alterou com a oposição generalizada da comunidade científica e das associações de professores de matemática.
Assim sendo uma questão se coloca: Quais os motivos, afinal, que não os resultados do PISA, que levam o governo a querer copiar esses tais exemplos de ‘sucesso’, mas de sucesso negativo?
Só uma obsessão ideológica! Uma questão de fé!
Tínhamos um rumo, tínhamos a educação como uma prioridade, como uma área central no processo de desenvolvimento do nosso país e agora o que temos é uma escola pública pobre, elitista e instabilizada.
Importa igualmente referenciar que a própria OCDE, no seu relatório, enfatiza claramente os resultados de Portugal, incluindo o nosso país no lote daqueles que alcançaram uma evolução mais positiva.
Começa a ficar bem evidenciado que Nuno Crato e o governo estão sozinhos, fazem opções meramente ideológicas e sempre ao arrepio das linhas apontadas pelas organizações e pelos estudos internacionais.

Em suma: se há um claro sinal a reter dos estudos PISA, corroborados pelos TIMMS e PIRLS em 2011, é o de que o caminho positivo que trilhámos está profundamente ameaçado pelas políticas deste governo, importando, portanto, que a comunidade educativa e a sociedade portuguesa em geral se envolvam neste debate no sentido de repensarem as políticas educativas mais recentes, meramente ideológicas, de Nuno Crato e do governo, pois os sinais não prenunciam nada de bom.
Acácio Pinto

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