sábado, 25 de fevereiro de 2017

[Cinema] O Estranho Caso de Moonlight *

*Artigo originalmente publicado na edição de 17 de fevereiro do Jornal do Centro

Por: José Pedro Pinto       

Quando este texto for publicado*, terão passado três quintas-feiras desde que estreou Moonlight, de Barry Jenkins, nas salas portuguesas. O filme venceu o globo de ouro para melhor drama e está nomeado para oito óscares, incluindo melhor filme, realizador, e argumento adaptado. À altura da escrita deste texto – 12 de fevereiro* – o filme não teve qualquer exibição nas salas de Viseu. É um caso que já aconteceu o ano passado com o Quarto, de Lenny Abrahamson, também nomeado nessas três categorias. Pessoalmente, não tenho interesse em nomeações para o que quer que seja, mas um caso como este merece atenção.
Nas salas comerciais, a decisão de que filmes exibir, e aonde, é sempre ditada pelo potencial comercial: se o Cartas da Guerra, de Ivo Ferreira, esteve em exibição no Fórum Viseu, terá sido certamente porque se considerou que não havia nessa semana outro filme com mais potencial para ocupar aquela sala. Sempre foi e sempre será assim, como é evidente. Mas para mim o caso torna-se menos evidente quando acontecem situações como a descrita no primeiro parágrafo: é verdade que eu não percebo nada de marketing, mas custa-me engolir que, na semana em que estreia um dos filmes mais aclamados de 2016, se decida que em Viseu preferimos ver o Patriots Day, do Peter Berg, e o Aqui Há Gato!, do Barry Sonnenfeld. Entretanto passou-se outra semana, e filmes estreados em dezembro continuam em exibição por cá – dois deles já só com uma sessão por dia – mas ainda nada de Moonlight.
É muito provável que tudo isto seja baseado em análises estatísticas e que esteja integrado numa estratégia nacional. O que é certo é que a NOS parece ter-nos catalogado como uma cidade onde só estreia Hollywood – do que Moonlight é só o exemplo mais recente.

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