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Aquilino Ribeiro estará presente no romance "Um Republicano na Mira da PIDE"

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Memorial a Aquilino Ribeiro, na Igreja Matriz de Alhais - Vila Nova de Paiva Neste dia em que se cumprem 63 anos sobre a morte de Aquilino Ribeiro (23.05.1963) deixo-vos, em pré-publicação, um excerto, entre muitos outros, do romance UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE, em que o escritor das Terras do Demo é referenciado. Este romance, a minha próxima narrativa de ficção, a lançar no início de julho, foi inspirado na vida do advogado Júlio Calisto (n. 1897 em Sátão f. em 1973 em Ílhavo). Eis o excerto que tem a ver com a audição das rádios da "cortina da ferro" como a PIDE lhes chamava: (...) Porém, continuou a não descurar, à noite, a audição das emissões das rádios da “cortina de ferro”, como lhe chamava a polícia. Em sua casa, sozinho ou na companhia dos amigos Eduarda e Tavares e, muitas vezes, na presença dos compadres Manuel das Neves e Joaquim, o seu recetor captava as ondas hertzianas que chegavam da Checoslováquia e da Roménia. Passou mesmo a corresponder-se com aquelas ...

O PIDE que passou o dia a transportar pessoas para o comício de Humberto Delgado

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   A campanha presidencial de 1958 foi dos momentos mais empolgantes que a oposição viveu durante o Estado Novo. A candidatura do general Humberto Delgado despertava um entusiasmo vibrante no povo — ainda mais evidente depois da desistência de Arlindo Vicente. Em cada aparição pública, como Delgado, que parecia ter magnetismo, atraía mais e mais gente, as hostes de Salazar começaram a ficar apreensivas. Havia que fazer alguma coisa para que a eleição do contra-almirante Américo Tomás, o candidato do regime, não corresse riscos. Mas vamos ao caso de que vos quero falar hoje, que teve a ver com o comício que Humberto Delgado levou a cabo no dia 24 de maio, em Aveiro, no Teatro Aveirense, iniciativa que mobilizou todos os opositores da região e que contou com a colaboração, a contragosto, de um informador da PIDE. “Alegre”, que se passava por oposicionista, mas que, de facto, não era mais do que um infiltrado no seio da oposição de Ílhavo, outro remédio não teve do que bebe...

Biblioteca da Figueira da Foz: João de Melo foi o convidado das 5.as de Leitura

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  Gosto particularmente das 5. as de leitura que têm lugar na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, onde a um ritmo mensal, se conversa com um escritor. Desta feita (21 de maio), o convidado foi João de Melo, que já leva 50 anos de carreira literária, e a Teresa Carvalho foi a moderadora. Sim, tudo aconteceu a um ritmo muito elevado, em que o autor se centrou, sobretudo, nas memórias da sua vida e, quiçá, nos inúmeros ‘fantasmas’ de um tempo longínquo (quem os não teve/tem?), que, ainda hoje, o assolarão. É verdade que João de Melo nos pareceu em busca da felicidade, pelo menos em termos discursivos. De fechar portas. Mas as marcas da família, sobretudo do pai, da ilha de São Miguel, do seminário, da guerra, e sei lá eu que mais, ainda se sentiram. Ainda foram muito sonantes. Lastro, mesmo. É verdade que as conversas fluem, porventura, é assim, deverá ser assim, e nessa liberdade de fluência, a conversa esteve muito centrada na vida, na sua vida. Na subida a pulso. No tr...

Uma história com marca da PIDE, nos 70 anos da Conferência de Jaime Cortesão

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  (Crónica publicada no Diário de Aveiro de 16.05.2026) A PIDE vigiava tudo. Ou quase tudo. Porque, às vezes, também via mal. Em maio de 1956, um agente destacado para acompanhar uma iniciativa democrática em Aveiro produziu dois relatórios sobre o mesmo acontecimento. No primeiro, registou com segurança quem presidira ao jantar do evento. No segundo, teve de se desdizer. A história passou-se nas comemorações da Revolução Liberal de 16 de maio de 1828, que tiveram Jaime Cortesão como figura central, e que este mês recordamos, 70 anos depois. Vamos então à história. Jaime Cortesão encontrava-se exilado no Brasil e veio a Portugal a coberto de um passaporte diplomático emitido por aquele país. Aproveitando a sua presença, os democratas aveirenses, com Mário Sacramento à cabeça, convidaram o historiador de Ançã para ser a figura central dessas comemorações. Delineado o programa, Cortesão estaria em dois momentos: num jantar de confraternização democrática, a realizar no res...

A propósito de papagaios: Mãe, esta praia é muito bonita!

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A minha caminhada matinal pelos passadiços da Praia de Quiaios teve hoje um aliciante especial. O céu estava pejado de papagaios — de todas as cores e feitios — que o vento norte enfunava e fazia esvoaçar sobre o areal, num colorido que concentrava o olhar de todos quantos ali se deslocaram logo pela manhã. — Mãe, esta praia é muito bonita — dizia uma criança, dos seus 8 anos, à sua progenitora quando eu passava. — Tem passadiços fixes e um areal grande. Não ouvi mais nada. Ia com passo apressado. Todavia, o que escutei, bastou-me. Se dúvidas houvesse, a iniciativa da Junta de Freguesia de Quiaios (que vai na 5.ª edição), de trazer anualmente os papagaios à praia, tinha ali a justificação plena. O festival tem sido e é um excelente veículo de promoção. É que as crianças não mentem, e aquelas pequenas frases que ela trocou com a mãe permitem, sem ser abusivo, concluir que as pessoas que aqui vierem nestes dois dias de festival dos papagaios (16 e 17 de maio) daqui irão com a re...

Memórias: Debate sobre juventude promovido pela JS Sátão

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Faz hoje, dia 10 de maio, 39 anos, a Juventude Socialista de Sátão promoveu na sua sede (sede do PS) um encontro em que se debateram os problemas da juventude em Portugal. Recordo-me bem desta iniciativa. Éramos poucos, mas tiínhamos uma entrega mais genuína às causas partidárias e estávamos sempre disponíveis para promover iniciativas e para travar todos os combates eleitorais e não só os autárquicos. Eram outros tempos, bem sei, mas havia dentro do grupo valores bem solidários. Havia espírito de grupo. Quiçá, terá sido essa determinação e essa resiliência que criou o substrato daquilo que o PS foi nas décadas seguintes, em que contou e conta com a adesão de tantos satenses.  Num território claramente conservador, no final dos anos 80, dominado pelo CDS nas eleições autárquicas e pelo PSD nas legislativas, os socialistas tinham de ir à luta e tudo fazer para se afirmarem como um projeto credível no concelho. Refira-se que não tinham qualquer vereador na câmara e eram só dois os el...

Polémica em Ílhavo, em 1931, visando Júlio Calisto

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    Em primeiro lugar importa dizer quem foi JúlioCalisto (1897-1973). Foi advogado, com escritório em Ílhavo, tendo desempenhado, há 100 anos — de julho a outubro de 1926 — as funções de Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Ílhavo. Vamos então à polémica que o visou em 1931. Corria o mês de abril quando Júlio Correia da Rocha Calisto foi alvo de um ataque violentíssimo no jornal O Ilhavense , de que era diretor José Pereira Teles. Um ataque à sua honra e à sua honorabilidade. Atente-se desde logo no título do artigo que não era assinado: “Um Burlão”! E depois no conteúdo: “um bacharel em leis” que vive de “expedientes e de patifarias”. E acrescentava ainda que o visado falsificava os valores de letras que as pessoas lhe entregavam para cobrança, aumentando-os, para se pagar indevidamente. Foi exatamente assim que o articulista escreveu na edição de 12 de abril de 1931 de O Ilhavense . Face ao que precede, estarão já a pensar: o caso acabou...

Em memória de Senos da Fonseca

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Falei com ele uma única vez. Foi no dia 27 de junho de 2025, na sua casa da Costa Nova. — Fui eu que fiz o projeto. É um navio com a quilha virada para o céu — logo me disse quando eu admirava a arquitetura daquela magnífica vivenda, virada para a ria. — Mas entre. Entrei e o melhor estava para vir. A decoração interior. Os elementos náuticos. As cores. As madeiras. As janelas. — Sente-se — sugeriu. — Conversamos melhor sentados. Sentei-me e senti-me mar adentro. Ondulação forte. Sem medo. Ao lado do comandante, sereno e conhecedor de todos os segredos do mar alto. Falo-vos de um ilhavense. De um homem nado no final dos anos 30. De um genuíno conversador. Falámos de livros. De política. Do Estado Novo. E da oposição que a sua mãe, Eduarda, sempre fez ao regime. A sua mãe e tantos outros. Nomeadamente o advogado Júlio Calisto, a razão para a nossa conversa. — Conheci-o bem. Sabe que fui várias vezes com a minha mãe, ainda miúdo, às reuniões da oposição que se faziam em casa ...

Alberto Manguel: uma vida à volta dos livros

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  Alberto  Manguel  - nasceu em Buenos Aires em 1948. O argentino Alberto Manguel, ou melhor, o cidadão do mundo Alberto Manguel esteve na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, nas 5.as de Leitura , no dia 30 de abril. E para quem, como eu, lá foi para ouvir o escritor, rapidamente percebeu que Nuno Camarneiro, o moderador, começava a levar a conversa noutro rumo. Demos connosco, para início, em Israel, onde Manguel viveu a sua infância, pois o seu pai era ali o embaixador da Argentina. Depois saltámos para o seu país, para Buenos Aires, na adolescência e juventude, e de seguida para outros, muitos outros locais, pois tantos foram os poisos desta figura incontornável daquele país sul-americano. E estou com isto a dizer que este fluir, esta interação, ficou aquém do esperado? Claro que não. Foi um trajeto diferente, mas igualmente recheado de conteúdos do escritor, do tradutor, do ensaista, afinal, do homem de cultura e de um bom contador de histórias. Foi excelen...

Viseu | Exposição "Impressões de Viagem", de Carlos Almeida

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Ao visitar a exposição do artista Carlos Almeida, “Impressões de Viagem”, que está patente ao público na sede da Junta da Freguesia de Viseu, no Solar dos Peixotos, fiz de imediato uma correlação com uma outra, esta do Vasco Ribeiro, que esteve patente no Museu Almeida Moreira em julho de 2019. E porquê? Porque os elementos expositivos são os mesmos? Porque a expressão artística tem configurações semelhantes? Não, nada disso. Porque ambas nos traziam, nos trazem, olhares que as pessoas captam nas suas viagens de turismo ou de trabalho e que decidem partilhar com os seus concidadãos. Com a comunidade. Connosco. E se a de Vasco Ribeiro nos trouxe “Viseu pelas bocas do Mundo”, ou seja, olhares antigos de cidadãos estrangeiros sobre a nossa cidade de Viseu (cultura, gastronomia, arquitetura, património) em forma de texto, esta, a de Carlos Almeida, traz-nos, quiçá, mais. Traz-nos o olhar, em forma de desenho, das peregrinações de um artista. Traz-nos retratos revelados pela ponta d...

Ílhavo | Conferência de Mário Sacramento sobre Fernando Namora foi há 59 anos

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  Faz hoje 59 anos,, Mário Sacramento efetuou no Illiabum Clube de Ílhavo uma conferência subordinada ao título “Fernando Namora, a Obra e o Homem” que, nesse mesmo ano, haveria de vir a ser publicada em livro, com o mesmo título. A conferência, que teve lugar no dia 28 de abril de 1967, apesar do seu cariz literário, acabou por ter uma vigilância apertada por parte da PIDE que, inclusivamente,  produziu um relatório detalhado sobre tudo o que se lá se passou. Em primeiro lugar disse que “quem teve de fazer a apresentação [do conferencista] foi o engenheiro João Senos da Fonseca, filho da Dr.ª Eduarda Senos”, uma vez que, segundo o informador “não conseguiram arranjar apresentador, porque todos a quem se dirigiram recusaram a incumbência”. Igualmente é referido que “embora não se tratasse de assunto político, num ou noutro passo, o conferencista deu as suas piadas ao atual regime”. Depois o vigilante da PIDE que se identificava como “Alegre” (nome de código), dizendo que...

Marginal: mais do que um livro de poemas, é uma filosofia de vida

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  Foi uma agradável surpresa conhecer Vieira da Silva também na sua vertente de poeta através do seu livro de poemas Marginal . Conheci-o, em primeira instância, há uns meses, durante as pesquisas que andava a fazer sobre o protagonista que inspira o meu próximo romance, Júlio Correia da Rocha Calisto, que foi advogado e residiu em Ílhavo. E foi nesse contexto de buscas e mais buscas em jornais que dei de caras, na edição do Diário de Lisboa de 17 de agosto de 1969, com o título “Jovem de Ílhavo foi o Vencedor do I Festival de Música Popular Portuguesa”. Fui ler e o jovem de Ílhavo era Vieira da Silva. Esgaravatei mais um pouco e percebi que ele foi um dos grandes cantores e compositores de música de intervenção, ainda como estudante de Medicina, tendo, inclusivamente, o seu primeiro disco, de muitos, sido apreendido pela PIDE em novembro desse mesmo ano. Depois deu-se o caso de eu publicar um artigo em que referia vários opositores de Ílhavo ao Estado Novo, um dos quais Joã...

O cuspo do cuco ou das bruxas

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  Todos os anos na primavera, era eu miúdo, com a chegada do cuco a Portugal era ver as ervas mais tenras com uma baba branca no seu caule. À natural curiosidade infantil, logo uns respondiam, — Não lhe mexas que é cuspo do cuco. Não o ouviste já cantar? E de outros vinha uma outra versão, — A minha avó diz que é cuspo das bruxas e se lhe mexermos ficamos enfeitiçados. A verdade é que não lhe tocávamos diretamente com a mão, quando muito com uma vara que encontrássemos por perto. Ou então, os mais corajosos davam-lhe um pontapé. Sem a IA (inteligência artificial) na ponta dos dedos para nos esclarecer no momento, acreditávamos naquela história (e noutras) que nos eram contadas ao ritmo das estações do ano que, ao tempo, também eram muito mais bem definidas do que são hoje. Era a sabedoria popular a transmitir-se de geração em geração. Hoje, que me deparei com esse “cuspo”, perguntei à IA de que se tratava afinal aquela baba ou espuma branca que envolvia o caule de uma s...

O que é que uma Casal Boss tem a ver com a distribuição do Avante, em Ílhavo?

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  Durante o Estado Novo os subterfúgios utilizados pelos oposicionistas eram inúmeros para contornarem a vigilância da PIDE. Diga-se, em abono da verdade, que o inverso era igualmente verdadeiro. Vem esta crónica a propósito da distribuição do jornal Avante no concelho de Ílhavo, antes do 25 de abril, em que era utilizada a motorizada Casal Boss que se encontra na foto. Os protagonistas foram dois ilhavenses a quem vou chamar de Tenreiro e Álvaro, embora os pudesse designar com outros nomes, pois tantos foram aqueles que desenvolveram um intenso e perigoso trabalho em prol da conquista da democracia e da liberdade. Tenreiro era um ativo comunista, funcionário público na vila, que recebia pelo seu controleiro os materiais e a linha política dimanada do Comité Central. Tudo lhe chegava depois de um ritual de senhas e de contrassenhas devidamente combinadas. A ele, localmente, cabia-lhe tentar alargar a influência e angariar mais pessoas para a causa. Foi o que Tenreiro fe...

Pilriteiro, espinheiro-branco ou árvore do coração

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  Com uma floração exuberante, de flores brancas que cobrem toda a sua copa, que acontece na primavera, o pilriteiro é um arbusto nativo da Europa, do noroeste da África e da Ásia Ocidental, com uma longevidade que pode atingir os 500 anos. Muito utilizado em sebes e divisórias de terrenos, pelo facto de possuir espinhos bastante agressivos, o pilriteiro, também conhecido por espinheiro-branco, tem como fruto umas bagas vermelhas brilhantes, quando maduras, com um só caroço. E para além da beleza quando está florido, estes seus frutos, que são comestíveis, também podem ser utilizados para fazer doces, geleias e compotas, bem como para confecionar bebidas alcoólicas e vinagre.  Com as folhas secas também se pode fazer chá, cujas propriedades melhoram a circulação, reforçam o coração e fortalecem o sistema imunológico. Daí este arbusto ser também conhecido como a árvore do coração pelos seus efeitos benéficos a nível cardiovascular. Porém, a nível de saúde, é sempre bom acaute...

Excerto do romance “Um Republicano na Mira da PIDE”

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  A propósito do III Congresso da Oposição Democrática que teve lugar no Cineteatro Avenida, em Aveiro, de 4 a 8 de abril de 1973, partilhamos hoje um excerto do romance Um Republicano na Mira da PIDE  (a publicar no verão deste ano) onde tal congresso é referido e onde a personagem principal, Júlio (inspirada em Júlio Calisto), se deslocou.  Eis o excerto: (…)  A sua [de Júlio] presença em Aveiro, no Cineteatro Avenida, aquando do III Congresso da Oposição Democrática, onde ele, embora adoentado, se deslocou nos dias 7 e 8 de abril, foi seguida pelos agentes da PIDE que se encontravam disseminados pela cidade em missão de vigilância dos oposicionistas presentes. — Então o que te traz por aqui, Eduarda? — perguntou o advogado à sua amiga, com ar abatido e cansado, após lhe abrir a porta e a mandar entrar. — Fui ali levar uns medicamentos e, de passagem, decidi ver se a Clotilde estava por casa — respondeu-lhe ela, mentindo quanto à causa, pois fora ali propo...

Tertúlia sobre emigração em Santa Cruz da Trapa

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  Foi com gosto que me desloquei no dia 23 de março à Escola de Santa Cruz da Trapa, concelho de São Pedro do Sul, para participar na “Semana da Primavera”. O pretexto foi falar sobre emigração para alunos do 3.º ciclo a partir do meu romance, O Emigrante , que aborda a emigração a salto para França nos anos 60, década em que mais de um milhão de portugueses abandonaram o país em busca de melhores condições de vida. Eis o texto que o jornal escolar,  Boletim da Trapa , publicou na sua edição de abril de 2026: A Biblioteca Escolar recebeu o autor Acácio Pinto para duas tertúlias com alunos do 3.º Ciclo, centradas na emigração portuguesa a partir da obra “O Emigrante”. Durante os encontros, refletiu-se sobre este tema histórico, através da história de Renato, que emigra para França nos anos 60 em busca de melhores condições de vida. As sessões ganharam especial significado pela identificação dos alunos com experiências semelhantes nas suas famílias. Estas tertúlias constit...

O livro de hoje é a Constituição da República Portuguesa

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  Partilho hoje um livro que me chegou às mãos quando andava a estudar na Escola do Magistério Primário de Viseu, trata-se da Constituição da República Portuguesa, uma edição da Imprensa Nacional Casa da Moeda, de 1976. É uma edição com 139 páginas onde está transcrito todo o articulado constitucional que os deputados da Assembleia Constituinte aprovaram e decretaram faz hoje, dia 2 de abril, 50 anos. O Presidente da Assembleia Constituinte era Henrique de Barros e o Presidente da República era Francisco Costa Gomes. O artigo 312.º referia no seu n.º 3: “A Constituição da República Portuguesa entra em vigor no dia 25 de Abril de 1976”. TÍTULO: Constituição da República Portuguesa ANO: 1976 EDIÇÃO: INCM PÁGINAS: 139 (+4 páginas no final para notas). Acácio Pinto - 02.04.2026

Faz hoje 57 anos que Mário Sacramento foi a sepultar

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  Após a morte o trair no dia anterior, Mário Sacramento foi a sepultar no Cemitério de Aveiro no dia 28 de março de 1969. Tinha em mãos a organização do II Congresso Republicano de Aveiro que iria ter lugar no Teatro Aveirense nos dias 15, 16 e 17 de maio desse ano. Nessa altura Salazar agonizava desde a queda, no dia 3 de agosto do ano anterior, da cadeira de lona no Forte de Santo António da Barra, no Estoril. Vem esta crónica a propósito do meu próximo romance histórico-biográfico UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE (em fase final de revisão), cuja personagem principal, Júlio, foi inspirada em Júlio Correia da Rocha Calisto , advogado, e que travou muitas lutas em Ílhavo e na região de Aveiro ao lado de Mário Sacramento, que no romance inspirou a personagem Mário. Hoje vou partilhar convosco a cena em que surge ainda a personagem Álvaro, que foi inspirada em Álvaro José Pedrosa Curado de Seiça Neves, filho de Manuel das Neves, que falecera a 31 de janeiro de 1965. Eis a cena: ...

Uma boa conversa sobre o livro português na Biblioteca Municipal de Sátão

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  A Biblioteca Municipal de Sátão assinalou o Dia do Livro Português no dia 26 de março de 2026 à noite. Num serão muito participado, que teve lugar no meio dos livros, os presentes puderam ouvir três autores do concelho de Sátão: Acácio Pinto, Elisabete Bárbara e Ricardo Faustino. Na primeira pessoa, estes autores falaram dos livros e dos escritores que mais os marcaram, do seu processo criativo, das suas rotinas de escrita e de leitura e ainda levantaram o véu sobre os projetos em que estão a trabalhar e que chegarão aos escaparates a curto e a médio prazo. Mas este momento literário de promoção do livro não teria sido a mesma coisa se não tivesse contado com a presença do Coro Satense Cónego Albano Martins de Sousa, cujos temas encaixaram na perfeição neste evento. Merece igualmente referência a leitura declamada de um texto alusivo a autores portugueses encenada e produzida pelas colaboradoras da biblioteca. No final da sessão, a vereadora da cultura, Zélia Silva, em brev...

Biblioteca de Sátão: Vamos “Conversar com o livro português”

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Vamos “Conversar com o livro português”, na Biblioteca Municipal de Sátão. A Biblioteca Municipal de Sátão assinala o Dia do Livro Português no dia 26 de março de 2026 , quinta-feira, às 20h30. “Conversar com o livro português”, é o tema que senta à mesa Acácio Pinto, Elisabete Bárbara e Ricardo Faustino , numa sessão cultural dedicada à valorização da literatura portuguesa e ao encontro entre autores e leitores. Desta iniciativa também faz parte um momento musical, incentivando os hábitos de leitura, com partilha de percursos literários dos autores convidados, para com o público presente. A iniciativa é aberta a toda a comunidade que queira juntar-se a esta comemoração. Para assinalar esta efeméride, decorre até ao dia 09 de abril uma exposição de livros de autores portugueses. O Dia do Livro Português, assinalado no dia 26 de março, foi criado por iniciativa da Sociedade Portuguesa de Autores, pois neste dia foi impresso o primeiro livro em Portugal, “Pentateuco”, impresso ...

São textos, senhor, são textos!

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  São textos, senhor, são textos! Parafraseio a resposta lendária ao rei D. Dinis, proferida por Santa Isabel, para vos falar do mais recente livro de José Lapa, Textos Dispersos . E porquê? Por um óbvio motivo, aquilo que o artífice da palavra José Lapa foi apanhado a distribuir pelos simples humanos foi pão. É pão que ele reparte (que nos oferta) de cada vez que sai (felizmente tantas) da sua concha de fermentação. São nacos de si! Do seu ser em ebulição!  Transijo, se aos textos se acrescentar poéticos. Só textos, não. Ou prosa poética. Lapa não sabe ser outra coisa que não um vate. Um construtor de mundos. Um caminhador por trilhos ínvios. Nunca o encontrarão em estradas lisas! Em terrenos planos. Mas sempre a fazer cadabulhos! A percorrer caminhos agrestes! Sim, este é um livro antológico. O autor logo nos previne. Uma compilação, logo nos acrescenta o Rui. O Bondoso, que prefaciou. Sim, uma incursão por territórios por desbravar. Ao lado dos amigos. Ao centro...

A fasquia ficou alta, muito alta, Inês Bernardo

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  Surpreendente. Um livro que nos traz (me trouxe) uma frescura narrativa nestes tempos de cânones artificializados. Trata-se do romance agarrar a faca pelo gume , de Inês Bernardo. Li-o de duas assentadas. Uma no Bart, na Praia de Quiaios, e a outra, em casa, no terraço, sob os raios do sol de março. E não se pense que terminei o livro ali, na página 107, quando fui confrontado com a frase, supostamente a última, “uma mulher agarra sempre a faca pelo gume”(ditado de um povo da África do Sul) . Não. Continuei a lê-lo. Por mais algum tempo estive a remoê-lo. De olhos no horizonte. No dorso da Serra da Boa Viagem, lá ao longe, espetado no mar. Foi um bom quarto de hora. De degustação. A saborear a catadupa de cenas que, ainda agora, um dia depois, quando escrevo, me sobem ao palato. Está lá a mulher. Tantas mulheres. Um olhar. Tantos olhares intrusivos. Nas suas vidas. Todas diferentes ou todas iguais no condicionamento social e político? E o homem? Os homens? Também! Sã...

44 anos após a sua morte: o que ligou Álvaro Seiça Neves a Júlio Calisto?

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  NA FOTO [da esquerda para a direita]: Álvaro Seiça Neves, Júlio Calisto, Jaime Cortesão, Mário Sacramento, M. Costa e Melo e João Sarabando O que ligou estes dois opositores do Estado Novo, que viveram na região de Aveiro? Álvaro Seiça Neves, faleceu a 15 de março de 1982, faz hoje 44 anos, e a sua ligação a Júlio Calisto, que faleceu em 1973, foi intensa. Vem esta crónica a propósito do meu próximo romance, UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE, em que ambos inspiraram duas personagens da narrativa. Júlio Calisto vamos encontrá-lo na personagem principal, Júlio, e Álvaro Seiça Neves, vai surgir como Álvaro. E de onde veio a ligação entre os dois, sendo que a sua diferença etária é de 23 anos. Pois bem, Júlio Calisto tornou-se muito amigo do seu colega de advocacia Manuel das Neves, de quem se tornou compadre, e, como tal, a amizade estendeu-se aos seus filhos, um dos quais Álvaro, que nasceu a 28 de março de 1920. E se esse era já de si um forte elemento de ligação entre os d...