O Emigrante: Recensão de Carlos Alfredo Oliveira Ferreira

 

Na senda das suas obras anteriores, “O Volframista” e “OLeitor de Dicionários”, com este “O Emigrante”, Acácio Pinto afirma-se cada vez mais como um escritor que na sua obra vai recriando todo o espaço geográfico, lexical e cultural de uma certa Beira Alta do séc. XX. 

Contudo a sua obra não se restringe ao enunciado acima pois a mundividência do autor abriu-lhe horizontes bem mais amplos (recorde-se que Acácio Pinto foi deputado na Assembleia da República e Governador Civil de Viseu) e o que ele faz é um interessante casamento dessa sua bagagem cultural e os usos e costumes das mais humildes aldeias beirãs.  Paradigmático é o contraste que ele faz quando se refere, quase em simultâneo, à ida do homem à Lua e a pessoas que dormiam no sobrado por cima do cortelho dos animais.

Mas este livro também é feito de pormenores deliciosos resultantes de um olhar atento e perspicaz sobre o mundo que nos rodeia. Vejamos como descreve o jantar (almoço nos dia de hoje) dos jornaleiros que andavam “ao dia”:

“Embora a fome apertasse, as garfadas eram lentas. Tal como no trabalho, também agora no jantar, não havia pressa”.

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Um livro que recomendo!

In: Facebook de Carlos Alfredo Oliveira Ferreira