O César Luís Carvalho é um poeta sempre à procura

 

Se dúvida eu tivesse de que o César é, sobretudo, um poeta, ela ter-se-ia dissipado, depois de ler o seu livro de poemas É o tempo…

De facto ele é um poeta, embora nos diga logo a abrir “procuro poeta”. Mas, verdadeiramente, o que ele procura são palavras feitas versos. Ele é, afinal, um incansável “procurador” de sons e de tons, dos que melhor se casem com as fotografias com que ilustra cada poema.

Damos, até, muitas vezes, por nós, a ler os versos das imagens, dos pormenores mais bucólicos e rurais ou mais urbanos e citadinos e a visualizar as sombras ou a luz e as cores das aguarelas dos poemas mais esculpidos ou mais lineares.

O César é assim mesmo. Um teimoso “procurador” de sonhos. Um permanente “caminhador” em busca da sua utopia, “Pudera eu voar”. Da vida, onde “Só a verdade é perene!”.

Mesmo em cada “nada” da vida ele procura a vida desse “nada”. Ele procura-se. Questiona-se. É artífice e artesão dessa partícula, por mais ínfima que seja. Que amassa e no-la oferta com o seu generoso e tranquilo olhar. De poeta.

“Quando as folhas,

na velhice,

sentem pesados os dias,

a raiz chama-as…

e rumam às saudades da primavera.

A árvore chora, para que se cumpra o tempo.”

Parabéns César!

Acácio Pinto