Ser poeta é… É isto. É não ter fronteiras. É não ter limites. É assim como um ser do avesso. Um ser que só respeita a sua gramática. Uma gramática de emoções, de tempos inventados, de geografias invisíveis. De químicas que se digladiam em preces de uma esperança imorredoura.
Ser poeta é… É isto. É um corpo que se despe. Que rasga as
suas roupas transparentes. Que mostra a sua nudez com verbos por inventar. Que
só se sabe, sempre, ofertar em doses de corpo inteiro.
Ser poeta é… É magia que se nos entranha. É texto e são
palavras em torvelinho. Palavras que nos vergastam o corpo dorido pelas adições
do viver. É uma textura sem receita conhecida.
Ser poeta é… É muito, mesmo muito, para além disto!
Como gosto, Aurelino Costa, que continues um poeta indómito!
E como te degustei na tua Casa e logradouro. Não sei se pelo palato, se pelos
poros. Se pela pele, se pelo cheiro a erva tenra. Ou se, pelo odor à cama onde
desabrocham as flores dos Jardins Suspensos da Babilónia!
Título: Casa e logradouro
Autor: Aurelino Costa
Editora: Porto Editora
Páginas: 88
Acácio Pinto