Não restam quaisquer dúvidas de
que a coligação está a esconder o seu líder, todos os dias, dos portugueses,
como se em política as pessoas pudessem hibernar e não tomar posição. Passos Coelho,
não vai a entrevistas, não fala aos jornalistas, nada diz sobre o seu programa
de governo (que ninguém conhece, diga-se em abono da verdade!), não aparece em
outdoors, (aí só “caras” estrangeiras).
Diz-se que foram os “homens da
estratégia” que assim decidiram. Seja lá pelo que for ou como for o que é facto
é que Passos Coelho não se livra dos inúmeros casos que sobre si impendem e das
inúmeras tropelias que tem previstas para implementar, caso viesse a vencer as
eleições, situação de que os portugueses o dispensarão pelo voto, a partir do
dia 4 de outubro.
E os casos são muitos. Desde a
sua muito mal explicada situação obrigacional com a segurança social e a
autoridade tributária, até às mentiras associadas aos subsídios de férias,
natal e aumento de impostos, passando pelo convite à emigração dos jovens,
tantas são as situações que estas nos bastam para todos percebermos perante que
personagem nós estamos. Uma personagem opaca e que não merce confiança
política.
Mas no que concerne às medidas
que tem previstas para o futuro, o véu já se levantou e todos os dias se
levanta mais um pouco, pese embora as tentativas permanentes de obnubilar a
realidade para “vender” um produto metamorfoseado que, na realidade, não
existe. Porém, alguma comunicação social, não muita, e alguns dos seus
colunistas não têm deixado cair no esquecimento os 600 milhões de corte nas
pensões, nem têm permitido que a privatização desenfreada da educação, da saúde
e da segurança social sejam escondidas até às eleições por um qualquer processo
de criogenia.
Aquilo que se pretende fazer com
toda esta estratégia de fuga ao debate é, parafraseando Pacheco Pereira, tornar
o Portugal real num Portugal invisível, para que possa singrar este Portugal
eleitoral que nos querem vender com recurso a uma máquina global de comunicação.
Pelo contrário, António Costa, e
bem, está aí, todos os dias em contacto com os portugueses, com a realidade.
Depois de definir uma estratégia, de construir um cenário macroeconómico e de
dar forma a um programa concreto de governo, está no país dos desempregados e
dos pensionistas desesperados, no, para a coligação, país “invisível” a
explicar que há outro caminho, que há outras políticas e que há um outro futuro
para Portugal e para os portugueses.
Quanto a Passos Coelho, para perceber
em que país está e o ridículo eleitoral que nos quer vender, aconselho-o a ir
ver o primeiro filme, da trilogia “as mil e uma noites”, “o inquieto”, de
Miguel Gomes, pois aí terá a oportunidade de perceber o ridículo do Portugal
eleitoral que nos quer vender.
Acácio Pinto
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