quarta-feira, 30 de março de 2016

As qualificações no âmbito do Plano Nacional de Reformas

Opinião DÃO E DEMO
O primeiro-ministro, António Costa, lançou esta terça-feira o Programa Nacional de Reformas (PNR), um documento que agora vai entrar em debate público para ser escrutinado e receber os contributos dos portugueses, envolvendo para tal os partidos políticos e a concertação social, antes de ser entregue em Bruxelas.
Trata-se de um plano que constitui uma reorientação estratégica do Portugal 2020 e que envolverá praticamente metade dos fundos comunitários programados para o nosso país nesse quadro, cerca de 11 mil milhões de euros. Sendo a qualificação dos portugueses a sua primeira aposta, nele constam também a inovação da economia e a capitalização das empresas, a valorização do território, a modernização do estado e o reforço da coesão e igualdade social.
Mas deste PNR a área que aqui quero sobretudo realçar é a das qualificações, sem qualquer secundarização das demais vertentes, aliás, absolutamente decisivas, também, para o nosso desenvolvimento. Só que as qualificações, que nestes últimos anos estiveram “congeladas” pelo governo, têm sido um dos nossos principais calcanhares de Aquiles. Basta olhar para os dados das instituições internacionais para o percebermos.
E creio que não restarão muitas dúvidas de que a melhoria das qualificações da população portuguesa, como de qualquer população, será um fator determinante para acrescentar inovação no tecido empresarial e consequentemente para valorizar o território. Só que isso não é compatível com mais de metade dos adultos (55%), entre os 25 e os 64 anos, não terem completado o ensino secundário e com, igualmente, cerca de metade dos trabalhadores (45%) demonstrarem escassas ou nenhumas competências digitais.
Daí que tenha que ser um desígnio, para Portugal, apostar na formação e educação de adultos e encontrar respostas de segunda oportunidade de qualificação dos portugueses, tendo sempre por base a aprendizagem ao longo da vida.
As metas a atingir, em termos de indicadores objetivos, que constam neste PNR para as qualificações, estão na linha dos objetivos de diversos documentos internacionais a que Portugal se tem vindo a vincular e que só nos resta descongelar e cumprir, como sejam 40% de diplomados do ensino superior na faixa 30-34 anos, ou garantir que 50% da população ativa conclui o secundário, ou reduzir para 10% a taxa de abandono escolar precoce.
O trabalho, portanto, é duro, mas tem que ser feito, esperamos que com a estabilidade que só um plano que vai além de uma legislatura, como é o caso, pode conferir.

Acácio Pinto
Opinião DÃO E DEMO

Esta quarta-feira, 30 de março, neve a atingirá o distrito de Viseu (cota 400 a 600 metros)

Notícia DÃO E DEMO
Para esta quarta-feira, dia 30 de março, há um aviso do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), secundado pela Autoridade Nacional de Proteção Civil, de queda de neve até às cotas de 400 a 600 metros, o que abrangerá a generalidade do distrito de Viseu, sobretudo os concelhos do centro e norte do distrito.
Segundo o IPMA os distritos de Bragança, Viseu, Porto, Guarda, Faro, Viana do Castelo, Castelo Branco, Aveiro, Coimbra e Braga vão estar sob 'Aviso Amarelo' entre as 12:00 e as 24:00 de quarta-feira, dada a previsão de queda de neve acima dos 400/600 metros.
“A queda de neve (com acumulados no solo até 5 cm), a atingir repentinamente cotas de 400 a 600 m a partir das 12h00 na região do Minho e das 15h00 nas restantes regiões Norte e Centro” de Portugal segundo pode ler-se no comunicado do IPMA e no aviso emitido hoje pela ANPC.
O vento soprará forte de norte com rajadas da ordem dos 80 km/h no litoral oeste e nas terras altas durante a tarde de amanhã.

terça-feira, 29 de março de 2016

[Crítica de cinema] Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça (2016)

Crítica DÃO E DEMO

***

(Vale a pena)
Batman v Superman: Dawn of Justice (2016) | Henry Cavill, Ben Affleck, Jesse Eisenberg | Realizado por Zack Snyder | 151 min.
Por: José Pedro Pinto
Senhoras e senhores, eis a atração principal da semana: incontornavelmente inferior a qualquer Batman de Christopher Nolan, mas largamente superior à deformidade kryptoniana que foi o Homem de Aço (2013) – filme, tal como este, realizado por Zack Snyder – chega-nos finalmente o grande combate entre Batman e Super-Homem (leia-se, os heróis mais lucrativos da Warner Bros). Quando se juntam dois colossos destes em combate, dois grandes lutadores universalmente amados, é garantido que se atrairá a atenção tanto de fãs hardcore como de fãs casuais, mas é preciso ter alguns cuidados: Antes de mais, se são ambos amados, quem é que deve ganhar? Depois, como manter a expectativa quando um dos combatentes pesa mais 20kg, tem mais 30cm de altura e 20cm de alcance de braços, e mesmo assim é mais veloz e tem mais resistência que o outro? E finalmente, como garantir que, independentemente do resultado, o verdadeiro vencedor seja o promotor do combate? Por responder de maneira satisfatória a todas estas questões, Batman vs Super-Homem é um triunfo de promoção de combates, um exemplo para Dana Whites e McMahons pelo mundo fora. Também se vê bem como filme.
Alguns anos depois dos eventos do Homem de Aço (2013), o mundo (isto é, a América) vê o Super-Homem como um semideus, uma entidade benigna para lá da regulação do homem – até que acontecimentos misteriosos no Norte de África (isto é, onde vivem os terroristas), nos quais o herói parece ser culpado da morte de vários inocentes, levantam questões sobre a impunidade das suas ações. É então organizado um comité, liderado pela Senadora Finch (Holly Hunter), com a intenção de dar ao governo o poder de regular a atividade do super-herói (tal como já vimos nos filmes da saga X-Men, da Fox, e como aparentemente iremos ver no Capitão América: Guerra Civil que sai daqui a um mês, da Marvel – que por sua vez incluirá o Homem-Aranha, adquirido há um ano num negócio com a Sony. Caramba.) Entretanto, em Metropolis, Lex Luthor (Jesse Eisenberg) propõe à Senadora que lhe sejam concedidas as autorizações necessárias para que possa desenvolver uma “arma de dissuasão” kryptoniana, como último recurso para controlar o Super-Homem. Não muito longe daí, na cidade vizinha de Gotham, Bruce Wayne (Ben Affleck) anseia pelo dia em que se possa vingar do maldito "herói" que causou a morte de milhares de inocentes durante os incidentes relatados no filme anterior – Homem de Aço (2013) – e depara-se acidentalmente com factos que parecem indiciar que a Warner Bros. também quer construir a sua mega-equipa de super-heróis, para poder competir com os Vingadores da Marvel e os X-Men da Fox (ao ritmo de dois filmes por ano, já marcados até 2020, segundo os últimos relatos).
A partir daqui há alguns SPOILERS. Se parece que me estou a concentrar demasiado na parte do negócio e pouco na parte da arte, é porque é essa a parte mais interessante deste filme: é um bom filme, sem dúvida, mas uma magnífica produção. Dá-nos um novo Batman, e o Ben Affleck convence-nos que é bom que chegue para aturarmos outra vez a cena da morte dos pais. Apresenta-nos um novo Lex Luthor, e o Jesse Eisenberg convence-nos que é um vilão à altura de qualquer herói. Apresenta-nos a Mulher Maravilha, e a postura física e expressões faciais de Gal Gadot convencem-nos que estamos perante uma verdadeira Amazona (pelo menos enquanto mantém a boca fechada), também muito graças a um certíssimo tema musical de Hans Zimmer e Junkie XL (sendo que este primeiro merece ainda mais aplausos por ter conseguido fazer uma banda sonora muito boa sem fazer lembrar o seu trabalho vastamente superior nos Batman’s de Nolan.) Esperemos que Gadot tenha tempo para trabalhar nessa parte até sair o seu Mulher Maravilha, anunciado para o verão de 2017. E como se não bastasse, o filme ainda tem tempo para nos apresentar, como afinal não podia deixar de ser, os heróis de Flash e Aquaman, filmes anunciados para 2018, guardando uns momentos finais para que o próprio Bruce Wayne possa vestir a pele de vendedor e anunciar descaradamente The Justice League: Part One (sim, “part one”), anunciado para o inverno de 2017.
Mas meter isto tudo num filme é fácil, difícil é fazê-lo como Batman vs Super-Homem o faz: de forma evidente que chegue para deixar a audiência disposta a comprar bilhete para os próximos filmes, mas invisível o suficiente para que não se intrometa na qualidade deste filme. E a qualidade é a que se exigia: se o Deadpool se destacava por conseguir saltar impercetivelmente entre o filme de super-heróis e a paródia de filme de super-heróis, Batman vs Super-Homem destaca-se por conseguir manter do início ao fim uma seriedade apocalíptica, e por conseguir dar ao embate entre os heróis o sentido grandioso que merecia. Deadpool é o melhor filme, sem dúvida, mas Batman vs Super-Homem é que é o main event.

Crítica DÃO E DEMO

sábado, 26 de março de 2016

Curta & Meia: The last job on earth

«Não há dúvida de que no futuro as máquinas continuarão a assumir funções básicas antes desempenhadas por humanos, como tem vindo a acontecer desde a Revolução Industrial – só que aquilo que é hoje considerado como uma “função básica” de uma máquina seria impensável apenas há algumas décadas. Isso levanta inevitavelmente a questão: será que aquilo que é hoje considerado uma função laboral necessariamente humana, poderá vir a ser assumido por uma máquina no futuro? E avançando tempo suficiente, será que há realmente alguma função laboral humana que não possa ser automatizada? Que impacto é que isso teria no mercado do trabalho, na economia, na maneira como as pessoas vivem? São essas as questões levantadas por The Last Job on Earth (2016), o resultado de uma colaboração entre o jornal The Guardian e o estúdio de animação londrino Moth Collective.
The Last Job on Earth é um tipo de trabalho muito incomum mas bastante interessante: uma curta-metragem ficcional encomendada por um jornal para ilustrar e complementar um artigo de opinião. Enquanto que o artigo, de Paul Mason, apresenta uma contextualização do passado, dados contemporâneos e possíveis soluções futuras, a curta dá-nos apenas a imagem desse mundo futuro: um mundo em que a atividade humana deixa de ser vinculada ao conceito de “emprego”, e em que o livre-arbítrio deixa de ocupar um papel central no dia-a-dia – as máquinas marcam consultas no médico, escolhem a roupa e transportam as pessoas por si próprias, sem consultarem os seus “mestres”. Mas como é que as pessoas se habituam a um mundo em que tudo é automatizado em nome da sua comodidade, tanto que as próprias pessoas se tornam dispensáveis? Na curta, vemos algumas a recorrem a um salão de jogos para experimentarem a vida de um consultor financeiro ou de um construtor civil através de óculos de realidade virtual, como forma de escaparem a este futuro e de certa forma regressarem ao nosso presente, pondo em causa os benefícios humanos desta evolução.
Com uma animação de traço e tons simples mas poéticos, e um ritmo exemplar auxiliado por uma banda sonora excelente, The Last Job on Earth é uma curta metragem muito pertinente, sobre um tema cuja urgência de ser discutido só continuará a crescer.»
Texto: José Pedro Pinto

quinta-feira, 24 de março de 2016

Elza Pais: Fátima Ferreira e José Pedro Gomes - mandatários distritais | Patrícia Monteiro - diretora

Notícia DÃO E DEMO
A socialista Fátima Ferreira, a primeira presidente do departamento das mulheres socialistas do distrito de Viseu, vai ser a mandatária distrital de Elza Pais nesta candidatura que a ex-deputada socialista por Viseu e atual deputada por Coimbra tem em curso ao departamento nacional das mulheres socialistas.
Quem o avançou ao Dão e Demo foi a própria candidata, manifestando muito orgulho nesse facto mas também por poder contar com Patrícia Monteiro, ex-líder da JS, como diretora de distrital da sua campanha e ainda com José Pedro Gomes, também como mandatário distrital.
Segundo Elza Pais a sua candidatura irá contar em cada distrito com uma mandatária e um mandatário “por considerar que os homens têm um papel importante na afirmação dos Direitos Humanos das mulheres e na luta contra todo o tipo de discriminações.”
Sendo esta a base da sua estrutura distrital, Elza Pais confirmou-nos que conta igualmente com o apoio de Lúcia Silva, recém-eleita presidente das mulheres socialistas do distrito e brevemente irão ser divulgados os nomes de muitos outros apoiantes em todo o distrito, uma vez que a campanha começa agora, depois dos congressos federativos, a estruturar-se.
Quanto aos objetivos desta candidatura ver Dão e Demo de 15 de fevereiro de 2016.
Notícia DÃO E DEMO

quarta-feira, 23 de março de 2016

Viseu: JS critica PSD e quer que se aproveite atual quadro político para trazer radioterapia para Viseu

Notícia DÃO E DEMO
A concelhia de Viseu da Juventude Socialista veio a terreiro, através de comunicado, para criticar o PSD lamentando “que aqueles que nunca contestaram as posições de Paulo Macedo, sejam agora os mesmos que lançam petições públicas e que exigem respostas rápidas a um governo que acaba de entrar em funções. O aproveitamento político que o PSD Viseu pretende retirar em relação a esta matéria, não pode passar em claro.”
E a JS especifica esta situação citando o anterior ministro da saúde quando em 4 de março de 2013, em “resposta a uma questão colocada pelos deputados do PS José Junqueiro, Acácio Pinto e Elza Pais, defendeu que a construção da unidade de radioterapia em Viseu era ‘inviável’; poucos dias depois, na inauguração do hospital da Lamego, referiu que tal obra ‘não estava prevista’ e que não representava uma prioridade.”
O comunicado da estrutura liderada por Manuel Mirandez acrescenta que “a existência de um serviço de Radioterapia no Centro Hospitalar Tondela-Viseu, tem sido consensualmente assumida como uma causa de interesse local, regional e nacional. Os estudos de entidades técnicas independentes, como a Entidade Reguladora da Saúde, apontam para Viseu como o local mais apropriado para o surgimento de uma unidade de saúde com estas características. Mais ainda, quando a existência deste serviço, permitiria que mais de 400 mil pessoas dos distritos de Viseu e da Guarda, tivessem acesso a cuidados médicos e tratamentos oncológicos em condições mais adequadas, impedindo a sua obrigatória deslocação para Lisboa, Porto ou Coimbra.”
E a JS concluiu dizendo que “não acordou agora para esta temática” e acreditam que “o atual quadro político, constitui uma janela de oportunidade, para que esta questão se volte a colocar, para que se torne uma prioridade e para que seja, finalmente, uma realidade.”
Notícia DÃO E DEMO

sábado, 19 de março de 2016

De Almeida Moreira a Agostinho Ribeiro: 100 anos de história do Museu Nacional Grão Vasco

Opinião DÃO E DEMO
Assinalaram-se no dia 16 de março os 100 anos de vida do Museu Nacional Grão Vasco. Um Museu que nasceu, portanto, em 1916, sob a égide de Almeida Moreira, seu primeiro diretor, e que este ano da graça de 2016, sob a batuta de Agostinho Ribeiro, seu atual diretor, soube interpretar os desígnios de uma região e de um país, se mantém ao serviço das pessoas e continua um inesgotável servidor de um território que, de igual modo, nele se revê e com ele se funde e confunde.
E o programa idealizado para este ano do centenário, objetivamente multifacetado, teve, reconhecidamente, no dia 16 de março, uma forte carga simbólica e emotiva e uma forte dose de afetividade.
E isso pôde ser vivido e sentido pelos inúmeros viseenses que quiseram dizer presente. Pelos de cá e por aqueloutros que vindos de longe ali também quiseram deixar a sua impressão digital; ou mesmo por tantos outros que, na diáspora, além-fronteiras, mas que por estarem à distância de um clique, se quiseram sentir, sentiram, igualmente parte dos variados momentos que aconteceram durante todo o dia. Um dia, podemos dizê-lo, que para além da sempre efémera gravação pela memória, vai ficar associado a elementos simbólicos e duradouros que o homem, ao longo do tempo se habituou a guardar e a colecionar, perpetuando, através deles, memórias e histórias idas. Um selo, uma peça de porcelana e um vinho, uma trilogia de excelência do colecionismo, que os vindouros não prescindirão de apreciar e de disputar.
Mas, igualmente, o dia 16 de março ficou também marcado pela inauguração da exposição dos momentos mais relevantes dos 100 anos de vida do Museu, pelo anúncio da atribuição da medalha de ouro do município e à noite, na Sé Catedral de Viseu, a audição do coro do Teatro Nacional de São Carlos (embora sabendo a pouco) constituiu a cereja, bem vermelha, no cimo de um bolo centenário requintado.
De Almeida Moreira, esse visionário da cultura e da museografia, a Agostinho Ribeiro, este exímio e qualificado homem de cultura, o Museu Nacional Grão Vasco não só os mereceu a eles, como mereceu todos quantos o dirigiram, e tantos foram, todos quantos nele trabalham e trabalharam nestes 100 anos de história, de memória e de muita glória ao serviço de Viseu, de Portugal e do Mundo.
Aqui fica o meu tributo!
Acácio Pinto
Opinião DÃO E DEMO