sexta-feira, 22 de abril de 2016

Vasco Rodrigues: Foi para Lisboa com 14 anos | Hoje é dono do CINDERELA, um restaurante de referência em Entrecampos

Entrevista DÃO E DEMO
Tem 52 anos de idade, é natural de Ferreira de Aves, concelho de Sátão, e está radicado em Lisboa desde 1977, para onde foi trabalhar com 14 anos de idade, para um restaurante de família, executando tarefas indiferenciadas.
Depois foi sempre em frente. Fruto de uma “genica beirã”, como ele diz, foi assumindo diversas funções até que aos 18 anos já era encarregado do pessoal e aos 20 anos avançou para um restaurante “a meias”. Passou por outros negócios e por outras atividades e hoje tem um dos restaurantes de referência nas imediações da avenida da República, em Entrecampos, o restaurante CINDERELA e tem ainda um dos bares mais simbólicos da capital, METRO E MEIO, na avenida 5 de outubro.
Falamos de Vasco Rodrigues, o convidado desta edição de DÃO E DEMO para uma entrevista sobre o seu percurso de vida.

PARTE I – Da ida para Lisboa e do restaurante CINDERELA…

Dão e Demo (DD): Quando veio para Lisboa e qual foi a sua primeira atividade?
Vasco Rodrigues (VR)Vim para Lisboa em 1977, tinha 14 anos de idade e comecei por trabalhar num restaurante de familiares (Galo D’Ouro) executando atividades menos exigentes e fora do alcance dos clientes.
DD: Fale-nos desse seu início de vida, em Lisboa.
VRDepois desta minha primeira atividade, fui subindo na escala de responsabilidades, fruto dos conhecimentos que fui adquirindo e da genica de um verdadeiro beirão posta em tudo o que fazia, até chegar ao cargo de encarregado, que assumi com apenas 18 anos e numa altura em que o restaurante tinha ao seu serviço cerca de 20 colaboradores.
Entretanto saí do “Galo D’Ouro” para aprender mais e ganhar mais experiência, tendo passado por outros locais de trabalho, mas sempre no sector da hotelaria.

“Aos 20 anos tive o meu primeiro restaurante ‘a meias’”…


DD: Então, e o seu primeiro restaurante quando surgiu?
VRFoi aos 20 anos que tive o meu primeiro restaurante, “a meias” com um sócio, mas vendi-o três anos depois. Foi um tempo em que adquiri vastos e importantes conhecimentos, especialmente na área da gestão. Tomei consciência das dificuldades próprias de um negócio com o encargo de pagar salários, impostos, assumir compromissos financeiros e, fundamentalmente, com o investimento de muitas horas de trabalho diário.
DD: E depois?
VRContrariando a máxima de que não se deve voltar ao local onde fomos felizes, regressei ao restaurante onde comecei, mas, agora, com estatuto de gerente e com participação nos lucros. Mas estive poucos meses. Decidimos constituir uma nova sociedade e comprámos uma loja num bom local de Lisboa que resultou numa aposta com bastante sucesso que foi a “Cinderela”.

“Criei uma empresa de venda e comércio de automóveis… e passei pelo Conselho de Arbitragem.”


DD: E as suas atividades foram sempre no ramo dos restaurantes?
VRNão só. Criei também uma empresa de venda e comércio de automóveis, a “Forumotor”, com vários stands de vendas em Alverca, Estoril e Lisboa.
Fiz igualmente uma incursão pelo desporto, na área do dirigismo. Fiz parte do Conselho de Arbitragem como vice-presidente durante alguns anos. Tenho uma enorme paixão pelo futebol e um profundo respeito e admiração pelos homens que têm a função de o dirigir dentro do campo, os árbitros, que o fazem com total empenhamento, dedicação e respeito pela verdade desportiva.
DD: Quais as casas comerciais a que, neste momento, está ligado?
VRCom o início da crise, em 2011, assentei os pés na terra e não arrisquei mais. Pelo contrário, fiquei apenas ligado a duas empresas, que controlo diariamente, desde as 10 horas da manhã até cerca das 3 horas da madrugada, o restaurante e pastelaria “Cinderela”, em Entrecampos, e o bar “Metro e Meio”, na avenida 5 de Outubro.
DD: Como e quando surgiu a “Cinderela” de Entrecampos?
VRSe estivéssemos a falar de cinema diria que a “Cinderela” de Entrecampos é um “remake” da pastelaria “Cinderela” do Areeiro, a primeira loja que adquirimos de entre as várias “Cinderela”. Foi a casa-mãe, tornou-se num nome forte e respeitado no mercado, e como consequência natural abrimos outras, entre elas o restaurante “Cinderela” de Entrecampos. Como diria um antigo responsável político do País, houve “evolução na continuidade”.
DD: Qual o motivo que o levou a escolher esta zona da cidade? Foi a universidade ou a proximidade com os serviços da câmara?
VRA experiência empresarial e da vida ensinou-me que, antes de comprar uma loja para instalar um negócio, é determinante fazer uma prospeção rigorosa do mercado. Após alguma pesquisa pela cidade, encontrámos uma loja que possibilitava que “entrássemos” pelo menos num polo de potenciais clientes, o universitário. A Câmara Municipal de Lisboa veio mais tarde, mas já tínhamos conhecimento que os seus serviços viriam ficar paredes-meias connosco no local onde se encontram hoje.
DD: O espaço é próprio ou é arrendado?
VRO espaço é próprio, comprámo-lo em 1996. Aliás, foi adquirido por duas vezes, já que uns anos depois tive que comprar as cotas dos meus ex-sócios.

“Na pastelaria a marca distintiva é o Bolo-Rei, um ícone da marca Cinderela… sendo o de chocolate o rei das vendas…”


DD: Quais as marcas distintivas da sua pastelaria? As suas especialidades?
VRNa pastelaria, mantemos a original e tradicional portuguesa. Como marca distintiva, refiro o Bolo-Rei, já um ícone da marca “Cinderela”. É mesmo rei na época natalícia, mas a sua presença faz-se notar ao longo de todo o ano. Temos estado atentos aos novos gostos dos clientes, daí que tenhamos adotado três tipos de bolo-rei: o tradicional, o Rainha (frutos secos) e o de Chocolate, que é o rei das vendas, ultrapassando os restantes em 70%. Uma verdadeira “delícia”, como sublinham os clientes. A saúde dos consumidores também faz parte das nossas preocupações, pelo que diminuímos a quantidade de açúcar no fabrico, recorrendo outros produtos em sua substituição.
DD: E a nível de restaurante? Qual a base da sua gastronomia?
VRNo que se refere à gastronomia, a originalidade e variedade da cozinha tradicional portuguesa é a que mais nos valoriza, quer junto de turistas que nos visitam quer junto dos comensais habituais. Isto tem também a ver com a nossa aposta sempre em boas cozinheiras, sobretudo das beiras. São ótimas profissionais, trabalhadoras e com forte sentido de higiene no local de trabalho, o que muito nos apraz registar.


“[No Cinderela] o serviço buffet é o mais procurado… permite fazer uma refeição mais rápida… e está à vista de todos”


DD: Quanto custa, em média, uma refeição do dia? É buffet ou serviço de mesa tradicional?
VRA média ronda os 10/11 euros num serviço de buffet, que é o mais procurado, já que está feito e à vista de todos. Permite fazer uma refeição mais rápida, sobretudo quando se está com fome e pressa, dispensa o tempo de espera que, por exemplo o bife grelhado e as batatas fritas exigem, quando se trata de um serviço de mesa tradicional. Neste caso o poderá ser um pouco mais elevado, dependendo fundamentalmente da qualidade do vinho escolhido.
DD: Quais são os seus principais clientes?
VRAté à crise que nos assolou em 2011 e que ainda dura, cerca de 60% dos clientes diários eram funcionários da Câmara Municipal Lisboa, organismo onde trabalham cerca de 3500 pessoas. Os restantes clientes são funcionários de consultórios e escritórios e outras empresas instaladas na zona de Entrecampos. Mas, de há 4 anos para cá, com todos os cortes nos salários dos funcionários públicos, nomeadamente nos da CML, grande parte deles traz comida de casa, pelo que teremos cerca 10% dos clientes ao almoço. À noite a coisa é bem diferente, o movimento é muito superior, sendo decisivo o contributo de grupos de estudantes de diversas faculdades já que estamos a dois passos da cidade universitária. São enchentes e enchentes de jovens que escolhem a “Cinderela” para os seus convívios. Por vezes não dispomos de espaço suficiente para os receber a todos, apesar de termos cerca de 300 lugares sentados.


“A região do Dão é a que mais se tem destacado pela qualidade [do vinho] que tem produzido de há anos para cá…”


DD: Tendo, o seu restaurante, uma vastíssima e qualificada carta de vinhos, quais são aqueles que têm mais saída junto dos seus clientes?
VRSou um apreciador nato de vinhos, fiz alguns cursos vitivinícolas com alguns dos mais prestigiados enólogos do país, e, só por isso, o vinho merece o meu maior respeito. Aliás, incentivo cada cliente a consumir vinho durante a refeição, sugiro o vinho adequado ao prato escolhido, por isso temos de ter uma variadíssima garrafeira, vinhos de várias regiões do país, desde o vinho verde do Minho até ao vinho maduro do Algarve. Somos um país onde se produzem os melhores vinhos do mundo, o que muito me orgulha do meu país. Sem dúvida que há três regiões que produzem os vinhos mais procurados: Douro, Dão e Alentejo. Apesar de eu ser um fanático por um vinho do Douro (Quinta da Leda, o meu vinho de todos os Natais), a região do Dão é a que mais se tem destacado pela qualidade que tem produzido de há uns anos para cá. Por motivos óbvios não vou destacar marcas.
(Brevemente publicaremos a parte II)
Entrevista DÃO E DEMO

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