terça-feira, 5 de janeiro de 2016

[Opinião] Não há desenvolvimento sem trabalho digno

Opinião DÃO E DEMO
Vivemos tempos sombrios no que concerne aos direitos dos trabalhadores e à dignidade e remuneração do trabalho.
Esta é uma daquelas questões que tem vindo a piorar no decurso destas últimas décadas. As tais décadas de afirmação das “promissoras” globalização do comércio e “democratização” dos acessos à net. Dizia-se que caminhávamos para o tempo em que a igualdade de oportunidades rasgaria as amarras e todos seríamos mais iguais. Dizia-se que a breve prazo as circunstâncias dos berços de nascimento não seriam determinantes para o rumo de cada cidadão.
Era assim como que um éden mesmo ali à mão!
É bem verdade que nem todos embarcaram neste canto do cisne. Que nem todos trincaram esse engodo bem confecionado.
Mas o que é facto é que aqui chegámos e aqui estamos, hoje, todos aterrados e soterrados neste mundo de efetivos poderes dos “estados” económicas e financeiras supra estatais. Destes “impérios sem rosto” a quem paulatinamente os poderes políticos dos estados se entregaram em nome dos nobres valores do investimento, da competitividade, da eficiência e do livre comércio.
E vai daí, esse poder de facto, desses “estados”, a quem não conhecemos as feições faciais, disseram ao que vinham e aí estão em velocidade cruzeiro a imporem as suas regras.
E hoje, são aos milhões aqueles que face à iminência do desemprego e da precariedade se confrontam com a aceitação de regras e ditames leoninos nos mais diversos setores da economia. Tudo o que é economia é alvo das “diretivas” comerciais e laborais desses grupos. E as novas guerras, agora, passaram a ser entre esses impérios sem rosto, que quantas vezes arrastam povos inteiros para a fome e para a miséria.
Assistimos como que a uma “(re)escravização” do homem em muitas paragens do mundo.
E em Portugal os laivos destas políticas andam também por aí. As políticas desenvolvidas, nomeadamente, ao longo destes últimos anos tinham nos seus fundamentos mais profundos muitos destes pressupostos. E pelo menos uma coisa, estas políticas, geraram: “Ferraris e Maseratis batem recordes de vendas”, segundo título do JN de dia 5 de janeiro.

É bem verdade que não vai ser possível alterar tudo e sobretudo de uma vez. Mas não tenho dúvida de que se impõe regressar à política, à ideologia, e a tudo o que ela significa na linha do respeito pela dignidade da pessoa no trabalho e na vida. E esta linha tem que ecoar e vingar nas lideranças políticas da Europa, da União Europeia, para que esta retorne aos seus verdadeiros valores fundacionais.
Acácio Pinto

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