quinta-feira, 4 de junho de 2015

[opinião] A coligação está à deriva!

Se tivéssemos dúvidas de que a coligação está em estado de choque e sem qualquer linha estratégica coerente e consistente para o nosso país, a nível de ideias e de programa, bastaria ouvir o deputado do CDS, Ribeiro e Castro.
Ele disse de uma forma cristalina o mal-estar que se vive no governo e no quartel-general desta maioria de mero circunstancialismo. Disse que se fez “tardiamente uma coligação que ainda não se sabe qual é o nome, que vai apresentar umas linhas programáticas que ninguém aprovou e discutiu, que também é uma coisa bizarra e estranha. Isto são erros”.
Vem isto a propósito da apresentação, sob pressão, esta semana, pelo primeiro-ministro e pelo vice-primeiro-ministro das linhas programáticas eleitorais da coligação para as próximas eleições legislativas.
Quer isto dizer que, depois de diversas declarações solenes de Passos e de Portas de que só no final de junho dariam a conhecer o seu programa, inopinadamente, decidiram levantar o véu, navegando, assim, ao sabor dos pregadores oficiais.
É que António Costa, no cumprimento de uma estratégia, clara e transparente, estava e está a cumprir o seu trajeto e nos próximos dias 5 e 6 de junho aprovará o programa eleitoral com que se submeterá ao sufrágio popular.
Ou seja, o PS estava e está a suscitar a atenção exclusiva dos portugueses e havia que travar esse entusiasmo e o debate público que estava todo centrado nos socialistas. O debate que está a acontecer é sobre as propostas que o PS submeteu ao escrutínio público.
Para além disso, o PS, já havia, há dois meses, apresentado um novo rumo para a economia e para o desenvolvimento de Portugal, com a apresentação do cenário macroeconómico, que teve o mérito de lançar o debate e demonstrar que afinal havia e há outro caminho que não o governo, que nos trouxe até aqui, até ao beco da destruição da economia e do aumento das desigualdades sociais.
De qualquer modo saúda-se este golpe de asa do PSD e do CDS, pois ele vai finalmente permitir efetuar um confronto democrático sobre as propostas que a coligação tem para o futuro do nosso país e para verificarmos se aquelas declarações recentes de alguns ministros (como por exemplo os cortes de 600 milhões nas pensões) têm tradução eleitoral ou se vamos assistir à mesma rábula eleitoral de 2011, em que prometeram uma coisa e fizeram precisamente o oposto.

Apesar de se saudar esta entrada, da coligação, por arrastamento no debate ela não disfarça a completa falta de rumo estratégico de dois partidos que depois de declarações irrevogáveis se “casaram” circunstancialmente. E quando assim é só resta ficar à deriva, como é o caso!
Acácio Pinto
Rua Direita

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