quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

[opinião] As intermitências da morte

Permito-me utilizar neste artigo o mesmo título de uma obra de um grande escritor português, o nobel José Saramago, não para falar da mesma nem para apresentar nenhuma factualidade que tenha a ver com o objeto central do livro, mas pela semântica que a expressão “as intermitências da morte” me permite nos factos que vou apresentar.
Vamos então aos factos, destes últimos tempos, inspiradores deste artigo, que desejava não estar a escrever.
1. Há alguns dias atrás um doente com hepatite C confrontou o ministro da saúde com o facto de lhe estar reservada a morte, a ele a muitos outros portugueses, pelo facto de o governo não lhes disponibilizar um tratamento que permitiria debelar o seu problema de saúde.
No dia subsequente a este facto, e depois de tantas mortes, o ministro anunciou que o respetivo tratamento iria passar a ser disponibilizado aos portugueses, depois de um acordo com a respetiva empresa farmacêutica.
2. Em novembro de 2014 o centro de saúde de Vouzela reduziu o seu horário de funcionamento à noite. Nessa sequência os deputados do PS eleitos por Viseu colocaram uma questão ao ministro da saúde e, no dia imediato à apresentação da pergunta na assembleia da república, o ministério através dos seus serviços regionais, criou novamente as condições para repor o seu anterior funcionamento até às 24 h.
3. Na semana passada as pessoas do concelho de Carregal do Sal foram confrontadas com a redução do horário de funcionamento do seu centro de saúde, a implementar a partir de 15 de fevereiro. Desde logo o presidente da câmara de Carregal do Sal se opôs publicamente e os deputados do PS eleitos por Viseu colocaram uma questão ao ministro da saúde questionando-o sobre este facto. Passados poucos dias, já esta semana, o ministério da saúde através dos seus serviços regionais informou que afinal tal redução não iria acontecer.
4. As populações do concelho de Penedono estão a ser confrontadas com o encerramento do seu serviço local da segurança social durante quatro dias da semana. Isto é, está aberto intermitentemente, só têm este serviço local disponível às quartas-feiras e no dia 20 de cada mês com os inerentes prejuízos para as pessoas e para as empresas. Também aqui os deputados do PS colocaram uma questão ao ministro da solidariedade, do emprego e da segurança social, sobre este facto. Ainda houve nenhuma resposta. Aguarda-se o desiderato.
Em conclusão.
Governar tem que ser mais do que esta navegação à vista. Ela só traduz uma coisa: completo desnorte do governo!

Acácio Pinto
Diário de Viseu

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