terça-feira, 16 de setembro de 2014

[opinião] Arranque do ano escolar: sempre a piorar!


Vivemos, de facto, tempos muito difíceis na área da educação merecedores de uma profunda preocupação da sociedade portuguesa e dos agentes educacionais em particular.
E esta preocupação e perplexidade, até, são maiores quanto mais vamos ouvindo aquilo que Nuno Crato e o seu ministério nos vêm dizendo relativamente ao arranque deste ano letivo. A questão configura mesmo um verdadeiro paradoxo quando se tratam como normais todas as anormalidades relacionadas com aquilo que se passa nas escolas.
Ousamos mesmo dizer que quando o ministério da educação considera que tudo o que está a acontecer nas escolas portuguesas, neste início de mais um ano letivo, é normal, então está tudo dito quanto ao grau de irresponsabilidade política que atravessa este governo.
E isto porque bastará que cada um de nós tente responder a perguntas muito simples para perceber aquilo que está em causa.
Ei-las.
Então é normal que só se coloquem os professores a 9 de setembro, já depois do ano escolar se ter iniciado a 1 de setembro, e a escassos dois dias do início das aulas?
Então é normal que se “brinque” desta forma tão despudorada com a vida de milhares de professores que se veem confrontados com uma colocação, já em tempo de aulas, numa escola em que não participaram nas atividades iniciais?
Então é normal e digno que se obriguem professores a terem, de imediato, de encontrar nova casa para viverem e nova escola para os seus filhos, que em muitos casos os têm que acompanhar?
Então é normal termos um concurso que apesar de todos estes atrasos ainda vem enxameado de erros?
Então é normal termos escolas, ainda hoje, com escassez de pessoal não docente devido a aposentações e a rescisões de assistentes operacionais não substituídos?
Então é normal iniciar-se o ano letivo com escolas do 1º ciclo que não se sabe se se irão manter abertas ou encerrar face a diversas providências cautelares colocadas pelas autarquias?
Bom, a todas estas perguntas creio que qualquer português terá que dar a adivinhada resposta: não, não é normal.
Tudo isto a que estamos a assistir e que não é normal resulta de uma completa falta de planeamento no ministério da educação que deveria fazer corar de vergonha o ministro Nuno Crato.

Apesar de tudo, três anos de (má) governação, três anos para esquecer, deveriam ter permitido, a Nuno Crato e à sua equipa, efetuar outras aprendizagens!
Acácio Pinto
Diário de Viseu de 2014.09.16

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