quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Entrevista de António Costa na revista Visão


Excerto da entrevista de António Costa na revista VISÃO de 7 de agosto (AQUI):
«Um compromisso para a década, uma mudança radical na atitude perante a Europa, uma reformulação do euro, uma agenda para o emprego e uma maioria absoluta. Objetivos que o candidato à liderança do PS quer ver cumpridos. Para já, deixa sem resposta os "ataques pessoais" de Seguro e dos "mercenários" ao seu serviço...
O CASO BES
Como avalia o comportamento do Governo no caso BES? E o que pensa da solução encontrada?
Se o capital resultou, essencialmente, de um empréstimo do Estado, para já, são os contribuintes que estão a suportar o investimento. A questão é a de saber se o recuperam ou não. O facto de o dinheiro ser emprestado pela troika não altera este dado. Quem paga os juros e quem tem de pagar o empréstimo? O Estado, logo, os contribuintes. Ou seja, ao contrário do que dizem Banco de Portugal e Governo, para já, são sobretudo os contribuintes quem está a suportar a solução. Acresce que o fundo de resolução consolida no setor público administrativo. Por isso, este investimento conta como despesa para efeitos do défice. Se não houver comprador para o Novo Banco, ou o preço for inferior ao valor do empréstimo, os outros bancos têm de reembolsar o Estado. Parece salvaguardar os contribuintes. Mas os outros bancos conformam-se? E os pequenos acionistas que se viram confinados ao "banco mau", que confiaram nas declarações do BP e do Governo que o BES estava imune aos problemas do GES? Conformam-se? E os credores de obrigações subordinadas, vão aceitar que os ativos do BES lhes sejam subtraídos e postos a salvo no Novo Banco? Pode ser que tudo corra bem. Espero que sim. Mas não é a solução mágica que nos apresentaram. O Governo tem de explicar como evita estes "riscos".
Outros destaques da entrevista de António costa à VISÃO:
- Portugal tem de mudar a sua postura relativamente à UE e compreender que, na UE, deve fazer o que outros fazem: defender o interesse nacional.
- O Governo quis ir além da troika e, agora, também quer ir além do Tratado Orçamental!
 - Eu não acredito num "big bang" que seja "a" reforma da Administração Pública
- A reposição dos níveis salariais tem de ser devidamente negociada no âmbito da concertação social
- A preocupação com a dívida não é uma preocupação para a qual acordei agora.
- A pior coisa que poderia acontecer era eu estar nesta campanha como tem estado o secretário-geral do PS
- Só se pode contentar com o resultado das europeias quem espera fazer uma coligação com a atual maioria
- A minha saída da Câmara de Lisboa é, para já, uma questão bastante prematura
- Muita gente votou em mim, nas autárquicas, para me dar força para assumir outras responsabilidades.
- Vi o PS despejar 80 medidas a oito dias de umas eleições, mas não o vi a apresentar uma visão estratégica. Nem sobre a correção dos efeitos assimétricos do euro. Nem sobre um programa de recuperação que suceda ao programa de ajustamento. Não vi.
- O presidente Junker veio dizer que está na hora de a Europa investir. E não recupera o crescimento, a criação de emprego e a consolidação saudável das finanças sem investimento público e privado.
- O simplex contribuiu mais para a reforma da AP do que estes três anos de governo. Reformar, sim. Mas isso não significa, simplesmente, fechar serviços e prejudicar populações.
- Não é aceitável esta narrativa que o Governo construiu de que eu, para garantir o futuro dos meus filhos, tenho de dar cabo do presente da minha mãe. Não é assim numa família nem é assim na sociedade
- Tenho evitado responder aos inúmeros ataques, vários deles, aliás, muito baixos, que me têm sido dirigidos, ou diretamente pelo secretário-geral do PS, ou por alguns dos seus apoiantes, ou por um conjunto de mercenários que trabalham sob a capa de agências de comunicação
- Nunca aceitei essa expressão dos "partidos do arco da governação". Ou que possa haver eleitos para o Parlamento partidos que estejam proscritos.
- A fragmentação eleitoral das europeias resultou da incapacidade do PS de polarizar a alternativa à derrota histórica da direita.
- O problema é que estas primárias não resultaram das virtudes da modernização do partido, mas como um truque para procurar desgastar-me.»

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