sábado, 10 de maio de 2014

[opinião] Mas qual saída limpa!?

Nenhuma novidade na designada “saída limpa” anunciada por Passos Coelho. Era, aliás, aquilo que os portugueses estavam à espera desde que esta questão se colocou. Um segredo que, afinal, nunca o foi.
Não me vou deter sobre os pormenores do conteúdo da declaração que o primeiro-ministro, ladeado por Paulo Portas e por Maria Luís Albuquerque, efetuou. E não me vou deter porque foi uma declaração eivada de inverdades sobre a assinatura do memorando e carregada de uma bateria infindável de ataques ao partido socialista, completamente imprópria de um governante que exerce tais funções.
Mas qual “saída limpa” se Passos Coelho não falou do prosseguimento da violência da austeridade? Se não falou do aumento do IVA, da TSU, nem do corte definitivo de reformas e pensões? E nada disse sobre mais despedimentos na função pública?
E, já agora, nem uma palavra também se ouviu a Passos Coelho sobre o excesso de liquidez por parte dos investidores e sobre as taxas de juro que neste momento estão a ser praticadas na Europa e que atingem mínimos históricos. Nem uma palavra, igualmente, sobre o papel do BCE em todo este processo, como sempre o PS defendeu e alertou. E nem uma palavra sobre a almofada, constituída pelo governo, de quinze mil milhões de euros, mas que custa aos portugueses 430 milhões.
Portugal regressa, assim, aos mercados sem ajuda, e isso sendo, com certeza, um sinal positivo, não deveria colocar o governo num patamar de arrogância, uma vez que os portugueses, fruto das opções erradas destes últimos anos, vão continuar fustigados com impostos, o país vai continuar a lidar com um desemprego elevadíssimo, com níveis de emigração incomportáveis e com uma economia que vai continuar estagnada.
E há ainda um outro elemento a ser trazido à colação e que revela, de uma forma expressiva, o insucesso das opções políticas seguidas pelo governo nestes últimos anos. Refiro-me à dívida pública portuguesa, quer sob um ponto de vista relativo quer sob um ponto de vista absoluto.
Como se sabe a nossa dívida pública subiu de um valor inferior aos 100% do PIB, em 2011, para valores que ascendem a 130%, no final de 2013, e em termos absolutos subiu para mais de 200 mil milhões, quando se situava em cerca de 160 mil milhões.
Sobre os apregoados êxitos da política de austeridade e sobre a designada “saída limpa” estamos conversados!
Acácio Pinto

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