quarta-feira, 12 de março de 2014

Teatro Viriato: Federação académica de Viseu promoveu debate sobre ensino superior

Juntando autarcas, dirigentes das instituições do ensino superior de Viseu e deputados da Assembleia da República, a FAV (federação académica de Viseu), presidida por Mário Coutinho, quis colocar na ordem do dia a problemática do ensino superior em Viseu.
O debate foi moderado pelo jornalista António Figueiredo e decorreu no Teatro Viriato, durante cerca de duas horas, num modelo que não teve a interatividade que o tema merecia.
Autarcas: Almeida Henriques (Viseu ) e Marina Valle (Lamego).
Dirigentes das instituições de ensino superior: Fernando Sebastião (IPV), Marie Françoise Cruz (I.Piaget) e Aires Couto (U.Católica).
Deputados: Acácio Pinto (PS); Hélder Amaral (CDS); Pedro Alves (PSD); Miguel Tiago (PCP); Carlos Vieira, em substituição (BE).
As novidades não foram muitas.
Há porém alguns aspetos que aqui quero deixar a propósito deste debate:
- O interior não pode continuar a ser assaltado a partir do terreiro do paço, também no ensino superior.
- Se há redundâncias de cursos não se diga que é em Viseu, pois até tem havido menos vagas a concurso do que candidatos oriundos da região, ao contrário de outras regiões litoralizadas que têm saldos positivos elevadíssimos.
- Não há ensino superior a mais quando estamos ainda muito longe da meta de 40% de pessoas entre os 30 e os 34 anos com formação superior prevista na agenda 2020; neste momento temos 27% quando a média europeia já é de 35%.
- Não podemos fazer dos cursos técnicos superiores profissionais (de dois anos) a panaceia para resolver esse déficit de formação; igualmente estes cursos não podem ser implementados a qualquer preço sem definir de forma muito rigorosa como se diferenciam dos CET, como se lhes acede e como se pode evoluir a partir deles para o prosseguimento de estudos.
- Não podemos continuar a cortar de forma radical na investigação científica a troco de um novo paradigma que ninguém conhece; e para vir agora atribuir mais meia dúzia de bolsas para fazer de conta que há uma enorme bondade da tutela!
- Não podemos continuar a asfixiar as instituições de ensino superior (o OE para 2014 tem um défice de 40 milhões para as universidades e politécnicos, como se sabe!) matando-as por falta de orçamento para as questões de vida corrente.
- Não podemos continuar a alimentar fantasmas, pois o ensino superior de Viseu é constituído pela realidade que temos e que conhecemos e são essas instituições que nos devem merecer a maior atenção e apoio.
- Não há dúvida de que as instituições de ensino superior de Viseu são fundamentais para o desenvolvimento da região, pela qualificação dos recursos humanos que fazem, pela investigação que produzem e também pelo forte impacto económico que proporcionam; o do IPV é de 69 milhões de euros.
- Deixemos-nos de planos diretores, de livros brancos, de conselhos estratégicos, de escolas avançadas, sem retirar qualquer valor a todas essas iniciativas e direcionemos a nossa energia para aquela que é a importância do ensino superior no reforço da coesão territorial e na defesa de um novo paradigma que inverta esta sangria de que está a ser alvo o interior do nosso país.

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