sexta-feira, 14 de março de 2014

[opinião] A propósito do debate sobre o ensino superior em Viseu

Juntando autarcas, dirigentes das instituições do ensino superior de Viseu e deputados da Assembleia da República, a FAV (federação académica de Viseu), presidida por Mário Coutinho, quis colocar na ordem do dia a problemática do ensino superior em Viseu e vai daí promoveu um debate, no teatro Viriato, sobre essa temática.
É, pois, neste contexto, e tendo em conta que fui um dos deputados participantes, que quero aqui deixar alguns aspetos, sob a fórmula de tópicos, a propósito deste debate.
- O interior não pode continuar a ser assaltado a partir do terreiro do paço, também no ensino superior.
- Se há redundâncias de cursos não se diga que é em Viseu, pois até tem havido menos vagas a concurso para Viseu do que candidatos oriundos da nossa região, ao contrário de outras regiões litoralizadas, que têm saldos positivos elevadíssimos.
- Não há ensino superior a mais quando estamos ainda muito longe da meta de 40% de pessoas entre os 30 e os 34 anos com formação superior prevista na agenda 2020; neste momento temos 27% quando a média europeia já é de 35%.
- Não podemos fazer dos cursos técnicos superiores profissionais (de dois anos) a panaceia para resolver esse déficit de formação superior; igualmente estes cursos não podem ser implementados a qualquer preço sem definir de forma muito rigorosa como se diferenciam dos CET, como se relacionam com o mercado de trabalho, como se lhes acede e como se pode evoluir a partir deles para o prosseguimento de estudos.
- Não pode o governo cortar de forma radical na investigação científica e nas bolsas a troco de um novo paradigma que ninguém conhece.
- Não podemos continuar a asfixiar as instituições de ensino superior (o OE para 2014 tem um défice de 40 milhões para as universidades e politécnicos, como se sabe!) tentando colocá-las de joelhos ao não as dotar de dinheiro para a sua vida corrente.
- Não podemos continuar a alimentar fantasmas, pois o ensino superior de Viseu é constituído pela realidade que temos e que conhecemos e são essas instituições que nos devem merecer a maior atenção e apoio.
- As instituições de ensino superior de Viseu são fundamentais para o desenvolvimento da região, pela qualificação dos recursos humanos que fazem, pela investigação que produzem e também pelo forte impacto económico que proporcionam; o do IPV é de 69 milhões de euros.
- Deixemo-nos de planos diretores, de livros brancos, de conselhos estratégicos, de escolas avançadas (sem retirar qualquer valor a todas essas possíveis iniciativas) e direcionemos a nossa energia para aquela que é a importância do ensino superior no reforço da coesão territorial e na defesa de um novo paradigma que inverta esta sangria de que está a ser alvo o interior do nosso país.
Acácio Pinto
Correio Beirão nº8 de 14.03.2014

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