sábado, 29 de março de 2014

[opinião] José Leite de Vasconcelos: peregrinador do saber!

No âmbito das comemorações do 120.º aniversário da Fundação do Museu Nacional de Arqueologia, a Assembleia da República inaugurou em dezembro a exposição "José Leite de Vasconcelos: Vida e Obra". Simultaneamente decorreram um conjunto de conferências alusivas às suas diversas facetas: homem de cultura; museólogo, arqueólogo, etnólogo e peregrinador do saber.
Homem multifacetado, José Leite de Vasconcelos nasceu em 1858 em Ucanha, no concelho de Tarouca, e morreu em 1941.
Considerado por muitos como o pai da filologia portuguesa, Leite de Vasconcelos, ele que era formado em medicina, atividade que exerceu durante um escasso tempo da sua vida, era um incansável descobridor da alma do povo português e tinha até, nas palavras de Luís Fagundes Duarte, “o sonho romântico de escrever a história do povo português”.
Na última conferência realizada no dia 25 de março na Assembleia da República, encerrando-se assim este ciclo em torno de José Leite de Vasconcelos, a faceta que foi trazida aos presentes foi a do “peregrinador do saber” em que intervieram, com duas magníficas conferências, o filólogo e atual secretário regional da educação, ciência e cultura dos Açores, Luís Fagundes Duarte e António Valdemar, jornalista, investigador e sobretudo um homem de cultura.
Fagundes Duarte falou mais na vertente filológica e apresentou duas cartas escritas por Leite de Vasconcelos, para contextualizar a sua dedicação e trabalho de pormenor e rigoroso que imprimia à sua atividade, mas sobretudo para nos falar de uma viagem que um conjunto de intelectuais do continente efetuou em 1924 ao arquipélago dos Açores com a finalidade de o conhecerem e a partir daí poderem escrever, nos jornais do continente, sobre a realidade insular. Foi uma viagem que permitiu a Leite Vasconcelos fazer uma conferência na Academia de ciências de Lisboa de que resultou o livro “Mês de sonho” alusivo à viagem, livro que ainda hoje constitui uma excelente “pintura” do arquipélago e que vai ser alvo de uma nova reedição.
Já António Valdemar fixou-se nos detalhes de Leite de Vasconcelos em Lisboa e no Porto e na interação, profunda, que ele teve com os seus contemporâneos. Falou de Aquilino e de várias das suas obras, de Araújo Correia, de Miguel Torga e de Teixeira de Pascoaes, entre tantos outros escritores e homens de cultura da época.
Se aqui trouxe, hoje, Leite de Vasconcelos, um homem do nosso distrito, foi para o evocar mas também para dizer que a busca pelo saber nos deve interpelar e mover sempre. Só assim o mundo pula e avança.
Acácio Pinto
Correio Beirão nº10, de 28.03.2014

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