sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

[opinião] Tarda, a decisão da radioterapia para Viseu!

CORREIO BEIRÃO (www.correiobeirao.pt)
Se tivéssemos que elencar uma questão central, a principal, no âmbito da saúde, para a nossa região, ela não poderia deixar de ser a da construção do centro oncológico e de radioterapia no centro hospitalar de Tondela - Viseu.
Aliás, já em 2011, o governo anterior, através do ministério da saúde, em articulação com a administração do hospital, deixou concluído todo o processo para a sua construção nos terrenos do hospital de S. Teotónio.
O projeto desse centro constava de uma unidade, inserida na estratégia de desenvolvimento da radioterapia em Portugal, que pudesse dar resposta a todos os doentes oncológicos da região envolvente, nomeadamente dos distritos de Viseu e Guarda e com isto evitasse as penosas deslocações dos doentes, das áreas em causa, para Coimbra ou para o Porto para fazerem os tratamentos de radioterapia e outros tratamentos similares.
E se qualquer dúvida subsistisse sobre a urgente necessidade de operacionalizar esta obra, e sobre a localização da mesma, ela ficou completamente debelada com o estudo de julho de 2012, da Entidade Reguladora da Saúde “Acesso, concorrência e qualidade no setor da prestação de cuidados de saúde de radioterapia externa”, de que a página 59 é paradigmática, pois fica aí bem evidenciado que a localização em Viseu aumentará, em muito, a cobertura, face a outras opções estudadas para a região centro.
Importa ainda referir, como fundamentação para a sustentação desta construção, que na região Centro, segundo o estudo, 44% da população reside em localidades situadas a mais de 60 minutos de um estabelecimento prestador de cuidados de radioterapia, mas, se nos cingirmos à região de Viseu e Guarda, a percentagem é muito mais elevada. Isto é, são milhares de pessoas que regularmente, em situação física e psicologicamente frágil, têm que andar num reboliço de trânsito para acederem aos tratamentos que lhes são prescritos, quando esses tratamentos lhes poderiam ser facultados em Viseu. E falamos, obviamente, de mais de 60 minutos de ida e outros tantos de volta, durante cinco dias por semana, normalmente, durante cinco semanas.
Assim sendo, aquilo que importa aqui deixar bem claro é que esta obra impõe-se, esta obra é uma emergência e o atual governo, que já leva mais de dois anos e meio de mandato, não pode continuar a ignorar este problema que continua a obrigar milhares de pessoas da região, em sofrimento, a percorrerem muitos mais quilómetros do que aqueles que teriam de fazer se o serviço lhes fosse facultado em Viseu.

Haja respeito pelas pessoas!
Acácio Pinto
Correio Beirão

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