segunda-feira, 1 de abril de 2013

Entrevista à Gazeta de Sátão, de Março, sobre estudo da UBI




Vasco Rodrigues, colaborador da Gazeta de Sátão, natural da freguesia de Ferreira de Aves, empresário no ramo da restauração, em Lisboa, efetuou um trabalho para a Gazeta de Sátão sobre o estudo da Universidade da Beira Interior para avaliar a qualidade de vida nos municípios portugueses resultando daí que o Sátão se encontra na posição 302, entre 308, e é mesmo o último do distrito de Viseu.
O trabalho de Vasco Rodrigues constou das mesmas sete perguntas a mim próprio, ao presidente da câmara de Sátão, Alexandre Vaz e ao presidente da ANMP, Fernando Ruas.
Todo o trabalho na edição em papel de Março.
Eis as minhas respostas.
1.            O recente Indicador Concelhio de Desenvolvimento Económico e Social de Portugal (ICDESP) “atirou” com o Sátão para um modestíssimo 302º. lugar, entre os 308 concelhos nacionais. Ficou surpreendido com o resultado?
Resposta: Fiquei surpreendido com o lugar que o Sátão ocupa uma vez que isso é revelador de que o concelho se deixou arrastar para uma posição muito desconfortável e nada invejável quando cotejado com os municípios envolventes e com os municípios nacionais. Ser o último do distrito num estudo que visa analisar os indicadores económicos e sociais não é propriamente uma boa notícia.
Porém, não desesperemos pois os estudos não são um fim nem uma fatalidade em si próprios. Merecem é uma adequada ponderação.
2.            Do seu ponto de vista, aquela classificação reflecte a realidade atual do concelho?
R: A ideia que tinha, meramente empírica, era de que nestas áreas algo estava a correr mal no concelho, porquanto o dinamismo económico e a criação de emprego era e é inexistente. Não se vislumbra uma estratégia, um plano, uma ação, um estímulo no setor da economia local. Os bons exemplos são, infelizmente, poucos. Estamos mesmo a assistir a um surto de emigração da população do nosso concelho, sobretudo dos mais jovens.
Portanto, como parto do princípio que todos os estudos refletem as realidades com base nas variáveis introduzidas pelos seus autores, entendo que este não é uma exceção.
3.            Em 2009, um estudo idêntico deixou o Sátão no lugar 238 do “ranking”. Que razões poderão justificar uma descida tão significativa em apenas três anos?
R: Tendo por base que nos dois estudos foram avaliados os mesmos indicadores, só podem ter acontecido duas coisas em separado ou em simultâneo e que são concorrentes para este resultado: que o Sátão não efetuou apostas consistentes nas áreas económicas e sociais e que os concelhos que estavam atrás foram alvo de mais e melhores investimentos nas vertentes em apreciação.
4.            O trabalho tem a chancela de uma instituição de Ensino Superior (UBI - Universidade da Beira Interior), especializada neste tipo de trabalhos científicos com base em dados objectivos (do INE) e foi coordenado por um consagrado professor catedrático (José Pires Manso). Mas, a par do rigor e da metodologia, há sempre alguma subjectividade nestes estudos. Poderá ela ter influenciado, até mesmo ter sido determinante na classificação?
R: Não vou perder-me em considerações metodológicas relativamente ao estudo sendo que é bem verdade que se as variáveis fossem outras os resultados também poderiam ser diferentes, porém nunca diametralmente opostos. Isto para dizer que o autor com certeza que utilizou os indicadores que as teorias e a doutrina aconselham nesta matéria. Se o não tivesse feito, o que não acredito, algo estaria mal.
5.            Valendo o que vale, considera, no entanto, que o estudo pode ser um instrumento útil para uma reflexão política dos responsáveis satanenses e uma eventual mudança de políticas?
R: Todos os estudos são importantes e úteis e merecem uma detalhada análise por parte dos responsáveis políticos concelhios para se tirarem conclusões sobre o processo de desenvolvimento no nosso território por forma a afinarmos ou alterarmos a estratégia. Seria muito mau se tal não acontecesse.
Perante um problema o pior que podemos fazer é varrê-lo para debaixo do tapete.
6.            Subscreve a conclusão do estudo de que o País funciona a “três velocidades”?
R: Porventura a mais do que três velocidades. E então o interior, em que nos inserimos, esse não tem estado em velocidade nenhuma, mas antes em “marcha atrás. Acabaram com os incentivos fiscais para as empresas, estão a criar dificuldades na acessibilidade à saúde, introduziram as portagens para todos terminando com as isenções para os residentes, “fecharam” freguesias, querem extinguir tribunais, fala-se no encerramento de repartições de finanças… Enfim, querem proscrever as populações do interior e transformar ¾ do território em áreas desabitadas com as péssimas consequências que daí advirão para todos e, sobremaneira, para os do litoral.
7.            O que pode e deve ser feito para acabar, ou, pelo menos, minimizar, estas assimetrias?
R: Na pergunta anterior, a contrario sensu, já se vislumbra muito daquilo que tem vindo a ser feito nestes últimos anos, nomeadamente por este governo, e que está errado.
Portanto, só com políticas ativas de apoio às empresas e empresários que se queiram fixar no interior, com apostas na manutenção dos serviços públicos, com a criação de redes de divulgação e apoio cultural, com incentivos à criação do próprio emprego, com apostas nas áreas agrícolas e na fileira florestal, com a dinamização do setor do turismo residencial, de natureza, ecoturismo caminharíamos no bom sentido. Era também fundamental criar eventos económicos e sociais, dar formação e qualificação às pessoas e fazer das instituições autárquicas plataformas facilitadoras da vida dos cidadãos.
Para além disso, no caso do Sátão, é elementar que seja feita uma aposta séria e a sério e que já anda há décadas a ser discutida sem que os sucessivos poderes, sempre da mesma matiz, a tenham conseguido operacionalizar. Trata-se da criação de uma área empresarial, de negócios, bem dimensionada, que pudesse aproveitar a escassa distância que estamos da A25 e da A24 e que a futura nova ligação de Sátão a Viseu potenciaria, lamentando-se o facto de este governo não estar a conferir a esta nova acessibilidade qualquer prioridade.


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